the optimistic

         (living in a glasshouse)

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Tempo.


Eu sou professor. Por mais que haja toda uma literatura pedagógica advogando em favor da construção do conhecimento e outras coisas, creio que um dos pontos centrais das minhas atividades se trata de desconstruir ideias. Ideias baseadas no senso comum, ideias equivocadas, ideias distorcidas e ideias limitadas… Desconstruir para depois reconstruí-las. Uma técnica que gosto de usar bastante para isso é jogar um determinado termo no google e ver as imagens que aparecem. Sempre surgem figuras bastantes indicativas das acepções mais correntes para uma série de termos e expressões.

Hoje estive pensando sobre o tempo. E mesmo que não tivesse vontade de desconstruí-lo ou qualquer necessidade de explicá-lo, joguei "tempo" no Google. Esperava ampulhetas. E elas vieram. Esperava alguns relógios. Vieram muitos. Fiquei pensando, como a gente ainda se prende a uma definição tão mecânica, matemática, quase físico-concreta de tempo. Um tempo - seja "muito tempo", ou "pouco tempo" - sempre parece ser um somatório de partes menores, cada vez mais subdivisíveis. Vivemos o tempo vazio, sem qualidades: "feliz" são as mesmas sessenta repetições de um minuto em uma hora "apreensiva"; sem subjetividades: uma hora no meu relógio é uma hora no seu relógio, na sua vida; sem sazonalidades: uma hora hoje ou amanhã são a mesma coisa; sem espacialidade: uma hora aqui ou acolá são os mesmos 3600 segundos.

Mas existe uma construção social do tempo. De como sentimos, experimentamos, desejamos, amamos ou sofremos cada um desses segundos da matemática apressada dos ângulos do relógio. Alguns chamam isso de temporalidades, tão múltiplas e imprevisíveis quanto as possibilidades de existência de indivíduos. E constantemente vivemos o conflito de sermos regulados, vigiados, valorizados pelo respeito a esse tempo matemático. Sofrendo, sentindo, amando, pulsando na temporalidade que é tão peculiar a cada um de nós. Na temporalidade que construímos não sozinhos, mas nos conflitos e encontros que realizamos ao longo dos nossos dias. Vivemos num eterno dilema de ceder ao tempo ou a temporalidade. De alongar minutos do relógio ou silenciar satisfatoriamente nos braços da temporalidade.

Na busca por imagens sobre "tempo" que fiz, uma figura curiosa apareceu. Essa que ilustra o post. A princípio achei estranho e que fosse uma daquelas falhas do mecanismo da empresa de Moutain View. Mas depois vi todo o sentido do mundo. Um sentido de tempo tão único, especial e subjetivo que somente eu posso entender. E somente você pode construir o seu.


Marcadores: , , , , ,

phillcss - 19:37:00


-:-:-

Eu.

Philipe

Campos - RJ

Ficção e não-ficção.


Leio:

Green Plastic
Omelete.
Cronicalidades.
Martini Seco.
Hel Looks.
Cafeína.
Cotidianidades.
Perto do Coração Selvagem.
Vida na Islândia.
Amor e Hemáceas.
Actions e Comics.

Recentemente:
|Se arrependimento matasse...|
|O Diário do Clima.|
|Não pense que te quero mal, apenas não te quero ma...|
|O criador e a criatura (não necessariamente nessa ...|
|Before Midnight (2013).|
|Narciso (?).|
|La Science des Rêves|
|Would?|
|O dia em que o Professor X morreu|
|Divulgado o IDEB das Escolas do Rio de Janeiro|

Passado:
|| Dezembro 2005 | Janeiro 2006 | Fevereiro 2006 | Março 2006 | Abril 2006 | Maio 2006 | Junho 2006 | Agosto 2006 | Setembro 2006 | Outubro 2006 | Novembro 2006 | Dezembro 2006 | Janeiro 2007 | Fevereiro 2007 | Março 2007 | Abril 2007 | Maio 2007 | Junho 2007 | Julho 2007 | Agosto 2007 | Setembro 2007 | Outubro 2007 | Novembro 2007 | Dezembro 2007 | Janeiro 2008 | Fevereiro 2008 | Março 2008 | Abril 2008 | Junho 2008 | Julho 2008 | Agosto 2008 | Dezembro 2008 | Janeiro 2009 | Março 2009 | Maio 2009 | Agosto 2009 | Setembro 2009 | Outubro 2009 | Julho 2010 | Agosto 2011 | Novembro 2011 | Janeiro 2013 | Fevereiro 2013 | Março 2013