the optimistic

         (living in a glasshouse)

domingo, 20 de janeiro de 2013

Se arrependimento matasse...




Viajar é uma delícia. 2012 foi um ano em que pude, finalmente (por questões de ordem financiera e logísica), me dedicar mais à atividade. Conheci João Pessoa, Belo Horizonte, o sul fluminense e realizei um dos meus sonhos de viagem: Nova York. Já havia andado um pouquinho pelo Brasil anteriormente (só nunca estive na Região Norte) e não era exatamente um novato em viagens. Mas, ainda assim, aprendi bastante nas andanças e, principalmente, no retorno. Afinal, é quando a gente volta que vêm aquelas ideias: "por que não fiz isso ou aquilo"?

Apesar de ter voltado com a sensação de missão cumprida, hoje de manhã, revendo algumas fotos da viagem para Nova York me vieram alguns arrependimentos. Listo abaixo divididos em duas categorias: 1) aquelas que não fiz e não sei o porquê e 2) aquelas que por alguma razão seriam impossíveis mesmo de fazer.

1. Arrependimento brutal

tirando fotos no top of the rock - em direção ao Brooklyn/
Lower East Side.
a) Tirar mais fotos: voltei com quase duas mil fotos numa viagem de sete dias. Mas todas as vezes que reolho, penso: cadê foto disso ou daquilo? O que é mais incrível quando se trata de NY: andando pelas ruas, de qualquer bairro, é possível tropeçar em pessoas com câmeras (algumas ridiculamente grandes), tablets (sim, principalmente os chineses, empunham iPads e similares como se fosse a coisa mais normal do mundo) e celulares apontados para todos os lados e tirando foto de tudo. Absurdamente tudo (até gente tirando foto de carro de polícia vi). Se pudesse listar minhas maiores mancadas nesse aspecto, seriam: mais fotos no Brooklyn Bridge Park (o skyline de lá era fabuloso e o dia nublado daria algumas fotos absolutamente espetaculares, mesclando céu, prédios e água da baía); mais fotos de Williamsburg (é uma vizinhança encantadora e diferente, mas fiquei um pouco acanhado pela pouca "turisticidade" do lugar. Empunhar uma câmera lá, num sábado às 11AM (o que equivale a 6:30AM de um domingo no centro do Rio de Janeiro) era escrever na testa "stranger in a strange land"); mais fotos em alguns pontos onde foi gravada Sex and the City (não me perdoo por não ter tirado fotos em frente a Bergdorf Goodman da 5ª Avenida - não em frente a loja, mas na calçada em que a abertura da série é gravada, ter mais fotos, bem ao lado da Bergdorf Goodman, em frente ao cinema PARIS (só os fortes entendenderão) e outras fotos na Gansevoort St. no MePA), além de vários outros lugares.

b) Comprar mais comics: os EUA são a terra natal e grande meca dos quadrinhos. Pude visitar a Midtown Comics . Milhares de revistas em quadrinhos, bonequinhos, chaveiros, camisas, bonés e toda quinquilharia que faz nossa alegria. Eu entrei na loja e não queria mais sair. MESMO. Gastei U$100 em encadernados e algumas mensais. Alguns dos encadernados, mesmo com a taxa 1:2 do dólar eram ridiculamente mais baratos do que no Brasil. Não sei se bateu alguma espécie de peso na consciência, mas por que? É um hábito saudável! (Ok, nem tanto).

red velvet em uma cafeteria "não-famosa" - em algum lugar
de chelsea...
c) Ter explorado mais restaurantes: uma coisa que prometi a mim mesmo quando saí do Brasil foi: nada de MacDonald's e similares. Ou qualquer outra grande rede. Queria os restaurantes pequenos ou grandes, porém únicos e anônimos (nem tão anônimos já que todos eram previamente checados no zagat.com. E, de fato, segui a risca minhas premissas. O problema foi não ter variado muito. Exemplo, descobri uma deli simpática, limpinha, barata e gostosa perto do hotel. Maravilha. Mas deveria ter procurado outras e não ter comido cinco dos sete cafés-da-manhã lá. No restaurante e no jantar variei um pouco mais, mas ainda assim, muito menos do que deveria ter variado.


2. Impossibilidades

arredores de Williamsburg.
a) Visitar Williamsburg: pra quem nunca ouviu falar, Williamsburg é um dos bairros do momento em NY. Onde todos os hipsters, artistas independentes e congêneres se reúnem (seja pra morar ou pra vender). Eu fui à Williamsburg. Num sábado de manhã (por volta das 10:30AM), pré-Sandy (minha previsão era deixar NY no domingo a noite - e o furacão deveria chegar à cidade de segunda para terça: salvo pelos mistérios da climatologia) e chuvoso, o bairro é pouco movimentado e boa parte dos estabelecimentos estão fechados. Além disso, as famosas feiras só funcionam no domingo. Realmente, não havia como visitar o bairro na sua glória semanal. Fica para a próxima. Por outro lado, fiz algo que nem de longe pensava em fazer: tomei uma balsa para o sul do Brooklyn (para o Brooklyn Bridge Park) e atravessei de volta para Manhattan em outra balsa. Experiência curta, porém divertidíssima.

b) Conhecer o Battery Park: numa cidade como NY, mesmo uma viagem de sete dias é pouco, muito pouco tempo para se fazer tudo o que se tem vontade - principalmente se você tem vontade de fazer tudo! Assim, o estabelecimento de prioridades é uma prioridade. E, infelizmente, o Battery Park ficou de fora. Na verdade, antes de ir, não pesquisei muito sobre o parque e, mais importante, não busquei muitas fotos. Depois que voltei comecei a ver algumas fotos na internet e bateu uma invejinha de quem vai. Mas, fazer o que?


adivinha que rua é essa?
c) Perambular mais por alguns bairros: algo que fiz, pretendo fazer nas minhas próximas viagens pra qualquer grande cidade e recomendo fortemente é estabelecer (com auxílio do Google Maps) alguns roteirinhos a pé por bairros não(ou não tão)-turísticos ou áreas não-tão-turísticas. Simplesmente observar os citadinos em seus cotidianos e atividades banais é uma das coisas que mais me atraem em qualquer viagem. (Uma imagem que não sai da minha cabeça é a de uma mulher de quatro na calçada de uma rua do Village trabalhando em uma mini-horta no diminuto espaço de terra ao redor de uma árvore. Opa! Cadê foto??). Gostaria de ter feito mais roteiros assim. (Não conheci praticamente nada do Upper East/West Side - exceto pelas imediações de museus). Mas, novamente, a questão das prioridades.

phillcss - 15:53:00 0 comments


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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

O Diário do Clima.




A primeira vez que tive contato com o trabalho da Sônia Bridi na série "Terra, que tempo é esse?" foi através de um dos melhores episódios da série: Veneza e Vanuatu (vídeo abaixo). Costurando muito habilmente visitas aos dois países de realidade tão distinta, porém tão igualmente próximos nos perigos oferecidos por um mundo em aquecimento (a subida de águas muito acima do que seria tolerável para a boa convivência), com entrevistas com especialistas e com engenheiros e cidadãos, Sônia e seu marido Paulo Zero (cinegrafista e diretor de fotografia da série) puderam expor com palavras e imagens uma das realidades mais duras do fenômeno do aquecimento global: a ampliação do fosso entre os que tudo têm e os que terão ainda menos.



Dessa forma, me interessei pela série e busquei assistir aos demais episódios. Viajando por cerca de 15 países, visitando locais e pessoas tão extremas quanto romeiros da Cordilheira dos Andes, fazendeiros no oeste da Austrália e um povo que mede sua riqueza pela felicidade no Butão, os dois conseguiram estabelecer um painel do que acontece, o que podemos esperar e o que pensam especialistas sobre o aquecimento global. A empreitada acabou virando um livro, Diário do Clima (Editora Globo, 2012) em duas versões: uma com o DVD com todos os episódios da série e uma versão simples, sem o DVD. Feliz proprietário da versão com o DVD, terminei minha leitura semana passada. Com um sorriso no rosto e um aperto no peito.

Combinando ciência e humanidade (será que ainda é possível dicotomizar essas duas coisas?), investigação científica e narrativa de viagem, Sônia te pega pela mão e com muito cuidado vai te levando por todos os lugares por onde a série passou. Das dificuldades às glórias, do planejado ao acaso, um panorama bastante completo é desenhado nas quase 260 páginas do livro. Enriquecido por fotos, a narrativa abre um sorriso ao escancarar a beleza de um mundo que, representado pelas palavras de Sônia, contradiz enormemente a ideologia dos que querem professar da sua diminuição, homogeneização ou banalização. Existe uma monotonia das paisagens contemporâneas? Não no "Diário do Clima".

Por outro lado, fica um pesar tão contraditória com a excitação e alegria que o livro suscita. Muito pouco ou quase nada vêm sendo feito para, ao menos, minorar a situação. Na verdade, como a própria conclui em mais de uma passagem no livro, quem mais tem dinheiro, mais poluiu e menos sentirá os efeitos. E aqueles (longe de qualquer maniqueísmo ou visão romântica) que sempre sofreram as consequências de um desenvolvimento desigual, afundarão ainda mais rapidamente na pobreza e na falta de oportunidades (alguns, literalmente, como os habitantes da bela e paupérrima Vanuatu).

Ao final, resta uma pergunta: será que valeu a pena?  "120 horas de voo em 48 trechos percorridos e 110 horas de espera em aeroportos (…), 27 horas de barco, 106 de carro, cinco de trem e seis montados em burros. A pé, foram mais de cem quilômetros". Num mundo em que o maior poluidor é também a mão mais generosa em buscar soluções, em que poluidores erguem fortes de concreto no oceano para barrar a água e populações sem expressão alguma no ranking da sujeira carregam pedregulhos com os braços também para aplacar a fúria do mar que se joga indiferente sobre ricos e pobres. Um mundo em que a Natureza dominada se revela cada vez mais arredia: escalar montanhas, realizar peregrinações, domar o deserto com plantações cada vez mais tudo que se fala é muito pouco para demonstrar o que ocorre. Toda imagem é pequena para demonstrar o que ocorre. Talvez, na combinação entre imagem e palavra a sensibilização se torne maior. A isso se presta o livro. E consegue.

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phillcss - 19:09:00 0 comments


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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Não pense que te quero mal, apenas não te quero mais.

Definitivamente, nada aqui (ou quase nada: sabonete líquido, NÃO!) fará muita falta.

Mas que é um registro interessante da transitoriedade das coisas e da validade da ideia de que "tudo que é sólido se desmancha no ar), isso é.

phillcss - 23:57:00 0 comments


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O criador e a criatura (não necessariamente nessa ordem).



Já há tempos tenho a impressão de que, ao contrário do que pensa a esquerda brasileira, a Veja distorce, manipula fatos e faz joguinhos que de tão chocantes são banais não exatamente para controlar, ideologizar ou arrebanhar seguidores, mas por um movimento inverso: em tempos de crise de qualquer mídia de informação paga (ok, posso estar exagerando no qualquer), melhor não desagradar quem ainda paga alguma coisa. Dessa forma, o que a Veja faz é dizer, opinar e informar da forma que (ela pensa que) seu leitor quer ler. Numa relação criador/criatura complexa, é até difícil dizer quem veio primeiro: a cabeça do  "cidadão de bem" leitor da Veja ou a cabeça da Revista.

Intrigado com a cobertura sensacionalista que boa parte da mídia vem dando ao suposto (desconfio que desejado ) próximo apagão (que se depender da Veja, Globo & Cia. tem até data e hora para acontecer), entrei no site da Veja e descobri a cobertura da revista sobre o  Big Brother Brasil 13. É uma delícia! A forma como as matérias são escritas, num tom de superioridade intelectual e desprezo pelo populacho é das coisas (involuntariamente) mais hilárias ever! O ápice é essa reportagem. Um trecho do final é um combo do pensamento Veja que reflete bem a mentalidade dos seus leitores fiéis.

Vamos por partes:

"Ainda em 2012, sob a batuta de Boninho, a Globo levou ao ar o divertido, sofisticado e aplaudido The Voice Brasil,

    1) pegar coisas com cara de refinadas, mas que são super senso-comum e chamar de refinado. De boa, mas ainda não consigo ver tanta diferença assim entre o que estava ali e o que Raul Gil e companhia vêm fazendo há anos.

um reality musical que tem, a cada episódio, meia dúzia de apresentações espetaculares, no melhor estilo dos programas americanos e europeus do gênero.

    2) se tem semelhança ou origem americana/europeia é sinônimo de (boa) qualidade.

O The Voice foi mais uma prova de que, apesar da apelação e da baixaria do BBB, a Globo e Boninho continuam sabendo fazer entretenimento na TV como ninguém. 

    3) de marca de papel higiênico a música, se tem apelo com quem ganha menos de 2 salários mínimos, é apelação e baixaria.

 E que o show de horrores do Big Brother só existe graças a um parceiro importantíssimo do grande irmão: um público viciado no besteirol.

    4) fingir que o mundo será um lugar melhor se todo o mundo for intelectualizado.

Pra finalizar, apesar de a cada duas linhas, de cada matéria, ressaltar a inutilidade, a nulidade de importância do programa, a revista deve ter, em menos de uma semana de programa, mais de 50 matérias sobre o mesmo. Mais uma semelhança criador/criatura: ninguém gosta, ninguém assiste, mas todo o mundo está informadíssimo sobre o que acontece ali dentro.

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phillcss - 23:19:00 0 comments


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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Before Midnight (2013).



Como todo bom marido traído, não fazia a menor ideia de que isso estava acontecendo até saber por acaso, procurando alguma informação randômica na página da Julie Delpy na Wikipedia.

Foi só ansiedade. Até ver a foto. Aí que as lágrimas vieram. Agora que a espera é cruel!

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phillcss - 22:34:00 0 comments


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Narciso (?).



Excluí meu facebook. Não que isso seja algo trágico ou digno de alguma nota mais profunda. E, aliás, já faz muito tempo - muito para os padrões da velocidade do próprio facebook: uns três ou quatro meses.

Então, por que do comentário?

Ainda ontem estava a comentar sobre algo. Lembrava de uma entrevista da Fernanda Torres (cujo link desapareceu do YouTube) na qual, após a exibição de um trecho de entrevista de uns dez anos antes, o entrevistador perguntava se ela ainda pensava da mesma forma. Visivelmente constrangida, Fernanda respondeu algo como: "Cara, esquece que já falei isso!". E completava dizendo que quando somos jovens adoramos "cagar regra" (palavras dela) para a vida dos outros, para o mundo.

Quando deletei meu FB essa foi uma das razões centrais. Ficar "cagando regra" para a vida dos outros é muito bonitinho quando você tem 15, 16, vá lá, até uns 20 anos. Depois, é patético. E era precisamente isso que o FB estava se tornando para mim: um espaço para ou ver nego cagando regra indiscriminadamente - e vamos combinar que muitas regras desnecessárias e dignas de vergonha empática - ou para eu mesmo ficar cagando regra para os outros. Sempre fui fiel partidário da máxima de preferir aquiescer para não ter de entrar em discussão cujos resultados não resultassem em nenhum prejuízo objetivo para mim, mas nesse ímpeto ególatra, narcísico e que, lá no fundo, não deixa de ter um resquício de alguma mentalidade "meu pau intelectual é maior que o seu", me via entrando nas mais gigantescas discussões com Deus, os Santos e todos os Apóstolos. Resolvi me retirar. (As outras razões incluíam a perda de um enorme tempo produtivo online e exposição desnecessária de muitos aspectos de sua vida).

Daí que de uns tempos para cá algo vem me incomodando. Existe algo além de egolatria, narcisismo e confontração na exposição de ideias. Existe a organização de ideias. Olhando para trás, percebi que desde os 16 anos de alguma forma (na verdade, de várias formas) venho utilizando a escrita e a exposição como forma de entender melhor o que penso ou até mesmo de formular algum pensamento sobre determinado fato, obra ou sentimento. Foi então que percebi que não era exatamente narcisismo ou vontade de "cagar regra"que me movia, mas vontade de entender. De ME entender.

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phillcss - 21:52:00 0 comments


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Eu.

Philipe

Campos - RJ

Ficção e não-ficção.


Leio:

Green Plastic
Omelete.
Cronicalidades.
Martini Seco.
Hel Looks.
Cafeína.
Cotidianidades.
Perto do Coração Selvagem.
Vida na Islândia.
Amor e Hemáceas.
Actions e Comics.

Recentemente:
|Algumas notas sobre música.|
|Go, Spidey!|
|A quem interessa o meu umbigo?|
|Tempo.|
|Se arrependimento matasse...|
|O Diário do Clima.|
|Não pense que te quero mal, apenas não te quero ma...|
|O criador e a criatura (não necessariamente nessa ...|
|Before Midnight (2013).|
|Narciso (?).|

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