La Science des Rêves
Taí um filme que há anos queria assistir. Michel Gondry, Gael García Bernal e Charlotte Gainsbourg... Consegui assistí-lo final de semana passado. Pensando que não podia dar errado.

Pior que acho que deu.
O filme segue os encontros e os obstáculos que se colocam na vida de Sthephane ao se mudar do México para a França a convite de sua mãe. Não que a mudança seja problema, mas sua condição de sonhador (no limite extremo e não me estendo aqui para não causar spoilers) coloca problemas na resolução dos impasses cotidianos.
A ideia básica é excelente. Até imagino um processo de criação semelhante ao que Woody Allen descreve como sendo no livro "Conversas com" lançado pela Cosac Naif do Erik Lax: partindo as vezes de um fiapo de ideia, desenvolve-se todo um filme. Acredito que tenha sido o que aconteceu com o Gondry. Uma ideia que partia da produção dos sonhos e de sua formação, ambiente onírico e um relacionamento complicado (aliás, parece que relacionamentos complicados são para ele o que as crises de identidade são para a Sophia Coppola, não?). E para expressar esses elementos uma linguagem bastante interessante para os sonhos (a direção de arte é maravilhosa).
Mas, talvez, aí esteja aquele que, para mim, é o maior problema do filme: apostar na linguagem. Depois de meia hora de filme, a impressão que fica é que tudo o que acontece é uma grande desculpa para as cenas que se passam dentro da cabeça do Sthephane, bem como para a ambientação no espaço onírico. Depois de um, dois, três sonhos fica cansativo sem ter uma história que sustente tudo isso. O que era pra ser original, fica enjoativo e você termina se perguntando: "a que será que se destina"? Uma pena, pois brincar com os sonhos, um relacionamento complicado e, principalmente, a direção de arte produzida seriam ótimos ingredientes - para uma história sólida e instigante.
Marcadores: filmes, Gael García Bernal, Michel Gondry, sonhos
The Optimistic - 23:39:00
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