the optimistic

         (living in a glasshouse)

domingo, 7 de agosto de 2011

O dia em que o Professor X morreu

Se há um lugar em que o lugar comum abunda, é nas histórias em quadrinhos. Dos diversos, talvez, o mais recorrente é o da sequência morte-retorno de personagens. Tantos já morreram e depois foram recriados - seja por clones, rituais mágicos, mal entendidos e muitas outras coisas.

Eu gosto dos Ultimate X-Men. Explicar quem são tomaria muito tempo e muito esforço, então, vamos simplificar as coisas para mim e para você e vamos conferir aqui. Mas, basicamente, podemos dizer que se trata de uma releitura dos heróis criados no início da década de 1960 para os dias do início do Século XXI. De toda forma, apesar da novidade e, IMHO, grande qualidade, a série não está imune aos clichés de super-heróis. Além da morte, um outro, particular da grife X-Men e que sempre foi recorrente - dos desenhos animados às revistas em quadrinho, passando pelos filmes é o da morte-desaparecimento do Professor X, deixando, sempre, seus alunos perdidos e sem saber como agir.

Ontem eu pude ler a "versão ultimate" para a morte do Professor X.


A história foi publicada originalmente em 2007, mas só agora pude ler. A série já foi encerrada e ainda não sei se haverá retorno ou se alguém substituirá o Professor X. Ler a morte de Xavier foi ler algo que já li ou assisti várias vezes: morte nos quadrinhos. A todo o momento pessoas morrem, desaparecem ou são dadas como mortas. Mesmo tal situação no que diz respeito ao primeiro escalão não é incomum. Mas dessa vez havia algo de diferente. Não foi tão corriqueiro ou banal ler a isso. Se o tema central aqui é cliché, vamos nos valer de mais. Digamos que dessa vez eu entendi melhor.

Foi a primeira vez que li sobre a perda de alguém depois de ter passado pela experiência de perder alguém. E perder alguém não é colorido como as páginas da revista, apenas é triste. É triste saber que se está sozinho, é triste saber que existem muitas coisas que poderiam ser feitas, ditas, entendidas e que não serão mais. É triste saber que uma série de coisas, sentimentos, procedimentos com os quais você nunca sequer pensou que teria, sentiria ou lidaria não podem ser evitados. É triste uma infinidade de coisas, mas podemos apenas resumir: é triste.

E para lidar você tem duas opções ou você foge - tal qual Kitty Pride - ou você se põe a cuidar de todas as coisas que são necessárias, buscando esquecer e colocar outras coisas no lugar - tal qual Jean Grey. Perdi meu pai recentemente e tenho plena consciência que escolhi agir como na segunda forma. O problema é que nada pode ser colocado no lugar. E não falo de substituir por coisas que te alegram, dão prazer ou carinho. Falo de substituir com trabalho, estudo, resolver coisas burocráticas e toda uma série de entorpecentes para adormecer o espírito. Mas o sentimento sempre volta e, como num término de relacionamento, afinal o é, sempre volta quando você menos espera.

Foi o que aconteceu lendo a morte do Professor X.

Meu único consolo é que meu único superpoder é poder confortar quem fica.

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The Optimistic - 09:43:00


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