the optimistic

         (living in a glasshouse)

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Would?

Era o final dos anos noventa quando ouvi "would?" do Alice in Chains pela primeira vez. Na verdade, "ouvir" é modo de dizer. Meu primeiro contato com a música se deu através do clipe. O som, as imagens, a figura da banda, tudo me lembrou muito a época de origem da canção - o inicio dos anos noventa (1992 para ser mais exato).

Lembro que achei um pouco fantástico como som e imagem podiam se combinar de forma tão fantástica para produzir a atmosfera de uma época que pouco conheci - rodeava meus sete ou oito anos em 1992. Ou talvez, as sensações mais do que as memórias daquela época são vívidas, já que me vêm à cabeça tão fortemente.

Durante algum tempo a única forma de ouvir a música era através do vídeo e na tela do computador, afinal foi apenas em algum ponto entre 2002 e 2004, creio, que explodiu a facilidade de se conseguir mp3 e, no caso dos players, o meu primeiro veio apenas em 2004 (um Creative Nomad de 5Gb, sem tela colorida e reprodução de vídeos, porém avançadíssimo pra época e com funções que ate hoje sinto falta no iTunes) e a popularização por volta de 2006-07. Assim, a impossibilidade tecnológica contribuiu para sedimentar e ligar de forma cada vez mais forte imagem e som na tarefa de produzir um clima para mim.

Hoje em dia, já com iPod e capa de cd "impressa" no arquivo, há muito que não vejo o vídeo, porém sua tarefa de produzir uma direção, um entendimento sobre a música foram cumpridos. Para mim, a music sempre tem e, acho que, sempre terá um aspecto duro, áspero, árido. Uma falta de compreensão que transforma as expectativas em angustias e falta de perspectivas. Não sei porque, mas olhando os anos 1990 em seu inicio, no caso do Brasil, me parece que reinava um pouco essa tônica. Um tempo de muita esperança e expectativa (redemocratização, nova constituição e uma vontade enorme de esquecer os anos do regime de exceção e os perdidos anos 80), porém uma esperança meio desesperada. Uma sensação de "do jeito que está não dá mais", um acreditar meio que forçado pela falta de alternativas.

"Would?" me passa um pouco dessa sensação. Uma esperança porque a única saída é ter esperanças. Uma esperança verde, mas um verde folha-seca apagado, abafado meio esmaecido pela crença de que o mundo não é um lugar exatamente bonito.

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domingo, 7 de agosto de 2011

O dia em que o Professor X morreu

Se há um lugar em que o lugar comum abunda, é nas histórias em quadrinhos. Dos diversos, talvez, o mais recorrente é o da sequência morte-retorno de personagens. Tantos já morreram e depois foram recriados - seja por clones, rituais mágicos, mal entendidos e muitas outras coisas.

Eu gosto dos Ultimate X-Men. Explicar quem são tomaria muito tempo e muito esforço, então, vamos simplificar as coisas para mim e para você e vamos conferir aqui. Mas, basicamente, podemos dizer que se trata de uma releitura dos heróis criados no início da década de 1960 para os dias do início do Século XXI. De toda forma, apesar da novidade e, IMHO, grande qualidade, a série não está imune aos clichés de super-heróis. Além da morte, um outro, particular da grife X-Men e que sempre foi recorrente - dos desenhos animados às revistas em quadrinho, passando pelos filmes é o da morte-desaparecimento do Professor X, deixando, sempre, seus alunos perdidos e sem saber como agir.

Ontem eu pude ler a "versão ultimate" para a morte do Professor X.


A história foi publicada originalmente em 2007, mas só agora pude ler. A série já foi encerrada e ainda não sei se haverá retorno ou se alguém substituirá o Professor X. Ler a morte de Xavier foi ler algo que já li ou assisti várias vezes: morte nos quadrinhos. A todo o momento pessoas morrem, desaparecem ou são dadas como mortas. Mesmo tal situação no que diz respeito ao primeiro escalão não é incomum. Mas dessa vez havia algo de diferente. Não foi tão corriqueiro ou banal ler a isso. Se o tema central aqui é cliché, vamos nos valer de mais. Digamos que dessa vez eu entendi melhor.

Foi a primeira vez que li sobre a perda de alguém depois de ter passado pela experiência de perder alguém. E perder alguém não é colorido como as páginas da revista, apenas é triste. É triste saber que se está sozinho, é triste saber que existem muitas coisas que poderiam ser feitas, ditas, entendidas e que não serão mais. É triste saber que uma série de coisas, sentimentos, procedimentos com os quais você nunca sequer pensou que teria, sentiria ou lidaria não podem ser evitados. É triste uma infinidade de coisas, mas podemos apenas resumir: é triste.

E para lidar você tem duas opções ou você foge - tal qual Kitty Pride - ou você se põe a cuidar de todas as coisas que são necessárias, buscando esquecer e colocar outras coisas no lugar - tal qual Jean Grey. Perdi meu pai recentemente e tenho plena consciência que escolhi agir como na segunda forma. O problema é que nada pode ser colocado no lugar. E não falo de substituir por coisas que te alegram, dão prazer ou carinho. Falo de substituir com trabalho, estudo, resolver coisas burocráticas e toda uma série de entorpecentes para adormecer o espírito. Mas o sentimento sempre volta e, como num término de relacionamento, afinal o é, sempre volta quando você menos espera.

Foi o que aconteceu lendo a morte do Professor X.

Meu único consolo é que meu único superpoder é poder confortar quem fica.

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The Optimistic - 09:43:00 0 comments


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Eu.

Philipe

Campos - RJ

Ficção e não-ficção.


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