Sobre se sentir meio arroz-com-feijão. (Ou meio pequenino).
Não é a primeira vez que escrevo sobre isso. Creio que da outra vez até utilizei esse mesmo título. Ocorre que essas sábias palavras de Fernanda Takai e sua trupe são muito adequadas pra verbalizar um sentimento tão recorrente em mim: me sentir meio arroz com feijão.
Certa vez, conversando com um amigo, disse-me ele que talvez seja isso do que a vida adulta se trata: aceitar e viver meio arroz-com-feijão. Verdade que até aceito isso. Entretanto, há momentos em que a certeza se faz mais forte; um momento meio Macabéa, jogada ao lado do meio-fio, um fino fio de sangue escorrendo testa abaixo, toda a estupidez da própria existência se revelando brutal, sem bombons doces, sem filtros cor-de-rosa. Um grande e acachapante "você é muito pouco". Bate meio que uma tristeza nessas horas. A gente gosta de ter as coisas em alta conta, que dirá, então, de termos nós mesmos em alta conta? Acho meio ridículo quem se acha muita coisa, mas acho um pouco triste quem não se acha nada. A velha máxima desgastada do meio termo? Sabe que não sei?
De outra vez, conversando com outro amigo, conversavamos sobre um determinado livro. Reclamava ele do rótulo dado pela crítica, "um livro menor na obra do autor". Dizia ele que, talvez, todo seu carinho pelo livro viesse justamente dessa denominação. Considerava a si próprio pouca coisa, algo menor frente o mundo. Achei meio triste a observação. Não é o caso de se considerar menor. Elimina-se o adjetivo comparativo de inferioridade e utiliza-se simplesmente "pequeno". Me sinto pequeno o tempo todo. Não que isso seja demérito. O mundo é grande demais e encarar certas coisas e se sentir pequeno, considero normal. Somos todos pequenos. E, felizmente, igualmente pequenos.
Lembro de "2001" na cena em que o computador é desligado e o astronauta se vê sozinho. Tão sozinho como nenhum homem jamais esteve. E, contemplando o universo, pequeno. Tão pequeno como jamais qualquer ser humano já se sentiu. Talvez, seja isso. Hoje é um daqueles dias em que me sinto pequeno.
Certa vez, conversando com um amigo, disse-me ele que talvez seja isso do que a vida adulta se trata: aceitar e viver meio arroz-com-feijão. Verdade que até aceito isso. Entretanto, há momentos em que a certeza se faz mais forte; um momento meio Macabéa, jogada ao lado do meio-fio, um fino fio de sangue escorrendo testa abaixo, toda a estupidez da própria existência se revelando brutal, sem bombons doces, sem filtros cor-de-rosa. Um grande e acachapante "você é muito pouco". Bate meio que uma tristeza nessas horas. A gente gosta de ter as coisas em alta conta, que dirá, então, de termos nós mesmos em alta conta? Acho meio ridículo quem se acha muita coisa, mas acho um pouco triste quem não se acha nada. A velha máxima desgastada do meio termo? Sabe que não sei?
De outra vez, conversando com outro amigo, conversavamos sobre um determinado livro. Reclamava ele do rótulo dado pela crítica, "um livro menor na obra do autor". Dizia ele que, talvez, todo seu carinho pelo livro viesse justamente dessa denominação. Considerava a si próprio pouca coisa, algo menor frente o mundo. Achei meio triste a observação. Não é o caso de se considerar menor. Elimina-se o adjetivo comparativo de inferioridade e utiliza-se simplesmente "pequeno". Me sinto pequeno o tempo todo. Não que isso seja demérito. O mundo é grande demais e encarar certas coisas e se sentir pequeno, considero normal. Somos todos pequenos. E, felizmente, igualmente pequenos.
Lembro de "2001" na cena em que o computador é desligado e o astronauta se vê sozinho. Tão sozinho como nenhum homem jamais esteve. E, contemplando o universo, pequeno. Tão pequeno como jamais qualquer ser humano já se sentiu. Talvez, seja isso. Hoje é um daqueles dias em que me sinto pequeno.
The Optimistic - 01:16:00
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