the optimistic

         (living in a glasshouse)

sexta-feira, 20 de março de 2009

all we need is love (?).

Sigo me equilibrando entre tropeços, alegrias e passagens impessoais. Lembro a todo o tempo Rubem Fonseca quando ele diz que queremos ser amados até mesmo pelos nossos algozes. Será tão forte assim essa vontade em mim? Será que me esforço tanto por aceitação? A adolescência (e toda a carga de insegurança), por mais que esticada, há tempos esvaece, dia após dia, e, em seu lugar, a idade adulta aflora em seus aspectos mais prosaicos e mais práticos.


Não, não ofereço resistência ao passar do tempo. Apenas que ainda conservo em mim muito da pessoa que fui há sete anos atrás. Inseguro, procurando aprovação constante. Não sei se lido muito bem com a falha, com a rejeição. Sei que consigo esconder muito bem as frustrações, mas não sei se realmente as supero. Lembro, então, de um tempo em que sentimentos se avolumavam debaixo da pele e por medo os escondia. Sempre tive a intenção de ser meio super-homem - aos olhos do mundo. E o que ganhei com isso? Força? Acho que um pouco.

Ainda continuo nessa luta por dissimular tudo aquilo de que sinto vergonha de sentir. Até acho que ultrapassei um pouco a barreira do momento pueril em que as opiniões que possam recair sobre mim me atinjam com violência, mas ainda necessito aprovação. Tenho uma necessidade constante de olhar ao redor e ver sorrisos complacentes, mãos estendidas e congratulações. E nao seria essa necessidade, uma necessidade de ser amado? De certo modo, nao seria aprovação uma forma de amor? Lá no fundo, tudo o que precisamos é amor?

Observo as pessoas e vejo suas atitudes. Vejo tanta insegurança em todo o mundo. Tenho vontade de perguntar: onde você esconde sua insegurança? Porque é o que vejo em quase todos sem exceção. INseguraça. Que dias bandidos são esses em que temos medo de amar, de trabalhar, de criar, de se arriscar? Não percebo coragem naqueles que se atiram despudorados. Percebo despreendimento, talvez inconseqüência, mas jamais coragem.

Talvez, a insegurança seja combustível para atingir objetivos maiores; combustível para tentar com mais afinco. Entretanto, existe um ponto em que ela paraliza. Nâo, não paraliza ações. Paraliza ações que possam ser conhecidas por outros. Bate uma vontade de agir apenas no escuro, de fazer segredo das coisas que tento, fazer segredo dos meus defeitos. Seria tão mais fácil possuir duas faces: uma para ser exibida pelo mundo, outra para guardar tudo aquilo sobre o qual não quero que emitam opiniões. Não seria essa a face que Eleanor Rigby tenta esconder com a que guarda na jarra perto da porta? Ou o retrato de Dorian Gray que, trancado no porão, absorve o passar de todos os dias de sua existência pouco orgulhosa?

Não quero ser Dorian Gray ou Eleanor Rigby. Faz-se tempo de mudança e, curiosamente, começo a percebê-la em alguns aspectos. Em outros, me vejo a léguas de conseguir alteração significativa. Talvez com o tempo.

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The Optimistic - 10:11:00


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Campos - RJ

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