the optimistic

         (living in a glasshouse)

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Uma fome sem fim.

E existem dias em que mesmo com toda a felicidade do mundo (ok, quase toda) ainda falta algo. E vc procura. Em gavetas, bolsos, entre as páginas de livros, em outras pessoas, naqueles que ama, em quase todos os quais sente algo particularmente não muito gracioso... Procura-se. Mas não se encontra.

Pequenos erros se transformam em desastres e uma leve decepção, por mais banal, mais simples ou corriqueira, ganha ares de grande tragédia. SOmatizam-se milhares de errinhos pequenos, conjurando um dissabor tremendo. Tudo se avoluma e começam a pulular as perguntas, principalmente aquelas, das quais você insiste em fugir e fazer de conta que jamais teve curiosidade em saber a resposta. Três batidas à porta e o futuro assoma muito pouco glorioso.

Surge a necessidade de compartilhar. Tirar um pouco a carga do ombro e tornar mais leve os dias. Mas com quem compartilhar? Há aqueles que lhe dirão para deixar de bobagens, veja quanta coisa tens. Há aqueles outros que tomarão para si culpas e dores e muito pouco entenderão que nada tem que ver com as suas questões. Não porque o papel que representam para ti é pequeno, mas porque existem coisas das quais nenhum ser humano pode salvar outro. Existem coisas que transcendem qualquer afago ou carinho. Existem coisas que apenas existem.
Então, você pensa nas possibilidades de mudança. Mas onde está a força para colocar diversas coisas em práticas? Principalmente, para colocar em prática diversas coisas que nem de longe são certeza. São apenas promessas. E nesses dias em que os urubus resolvem sobrevoar seus céus azuis, é muito difícil acreditar. Seja no que for.
Você dorme de barriga vazia, com uma fome sem fim. Fome de comida, fome de futuro, fome de certeza. Toma um copo d'água para esconder a fome. Não come mais por birra e preguiça do que por real falta de vontade. Mas, continua ali, a dor ácida dos líquidos que vão lentamente corroendo seu estômago pedindo, pedindo, pedindo. Só que hoje você se sente particularmente fraco para atender a esse pedido. E assim se deita. É muito mais fácil deixar de lado, passar por cima, ignorar o que te aflige. COmo são mais tentadores os caminhos fáceis.
Você deita por resignação, mas, principalmente, pela certeza de que amanhã essa prostração vai passar. Você se levantará, andará até a cozinha e matará a fome. Talvez, não seja o suficiente para aplacar a sua necessidade interminável, mas o bastante para te acalmar.
Até a fome voltar outro dia.

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The Optimistic - 13:06:00 1 comments


-:-:-

Eu.

Philipe

Campos - RJ

Ficção e não-ficção.


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