the optimistic

         (living in a glasshouse)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

VDA - Viciados em Drama Anônimos (ou Fazendo a Amy Winehouse).

Talvez, um certo pessimismo exagerado colabore para uma tendência em duvidar de qualquer alegria que possa vir a acontecer-me. Uma pequena neurose (a la Woody Allen, claro), uma vontade, uma necessidade de um pequeno drama para fazer a vida mais forte, mais presente, mais sensível. Drama puro, em suma. Algo semelhante aos narcóticos que necessitam de drogas (em doses cada vez maiores) para sentirem. Sentirem o quê? Sentirem.

Tudo protegido pelo escudo do inconsciente - que, aliás, é uma das melhores invenções da ciência moderna: tudo pode ser escondido, culpado e acusado nele. Mas a existência dessa ação inconsciente é consciente! Procuro, então, me policiar, certas vezes, para não resvalar numa negação completa da felicidade.

Loucura? Comecei a atentar para certo dito. Diz-se em um filme que muito gosto: "Após certos acontecimentos, você não deixa a felicidade entrar sem uma revista completa". Bingo! Não seria isso? Depois de tanta porrada, fica mais difícil aceitar que qualquer coisa seja felicidade. Não seria apenas mais um engano? Mais um passo errado? Obviamente, a coisa toda pode descambar para a paranóia generalizada e - ai, meldels! - happiness never more (nor in neverland). Apenas, que há certo sentido em sentir certo medo dela.

No mais, quem não tem medo do desconhecido que atire a primeira pedra, mas cuidado que de telhados de vidro o mundo está cheio. Afinal, quando quando vem a felicidade, normalmente, está associada a fatos novos, realidades novas. Novidade é (quase) sempre desconhecida. E o desconhecido mete medo.

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The Optimistic - 14:13:00 2 comments


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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

- explosão! - (ou falta de tesão mesmo).

"O senhor Elliot era racional, discreto, educado, mas não era franco. Nunca havia uma explosão de sentimentos, nenhuma indignação ou deleite acalorados perante o mal ou o bem dos outros. Para ela, isso era decididamente um defeito. (...) Ela gostava, acima de tudo, de pessoas francas, sinceras e impulsivas. O ardor e o entusiasmo ainda a cativavam. Ela achava que podia confiar mais na sinceridade dos que por vezes diziam uma coisa imprudente e precipitada do que na daqueles que nunca perdiam a presença de espírito ou cuja língua nunca tinha um deslize". (Jane Austen - Persuasão)

Miss Austen sempre se provou fina observadora dos costumes do seu tempo e da natureza humana. Mas essa observação, bastante precisa, me pegou de jeito. Leio Persuasão pela segunda vez, mas antes, jamais havia reparado nesse trecho. Não sei se minha simpatia vem de uma vontade (necessidade?) em justificar certas explosões de sentimentos ou de uma genuína crença no que ela diz. Talvez, seja mais acertado pensar do segundo modo, tendo em vista que já havia pensado nisso antes.

Ao mesmo tempo que ñao gosto dos plenamente inconseqüentes, tenho certa dificuldade em lidar com os excessivamente contidos. Não pela questão da confiança. Em verdade, apenas lendo o texto que percebi no perigo de se confiar em quem possui paz demais; há todo o tempo há cálculos e medidas, jogadores, em suma. Fiava minha antipatia na falta de paixão. Para mim, não há nada pior que gente sem paixão, sem tesão, seja lá pelo que for.

Não há nada mais belo que a vivacidade apaixonada de alguém falando sobre o que ama: um hobby, uma música, um filme, outra pessoa... Isso sempre me atrai e encanta. Adoro as pessoas apaixonadas. Não no sentido apaixonadas-por-alguém. Apaixonadas sem complemento: apaixonadas. Pessoas que conseguem amar e se expor enquanto seres amantes - novamente, seja lá pelo que for.

Tenho medo daqueles em que a frieza (ao menos aparente) impede de se derramarem em público ou se declararem. O que os impede de qualquer ato que necessite de certo sangue frio? Esses eu dispenso.

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The Optimistic - 21:20:00 0 comments


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domingo, 7 de dezembro de 2008

(Falta de) Razão e (In)Sensibilidade.

Duas cenas do cinema recente me chamam bastante atenção. Na verdade, me encantam. Pensando nas duas, agora há pouco, percebi como são parecidas - ainda que em contextos absurdamente diferentes. De todo o modo, são dois pequenos momentos de filmes grandiosos (ok, um deles tem tendência minimalista, mas isso é papo para outra conversa) que passam desapercebidos a um olhar menos atencioso e delicado. Justamente por tratarem de delicadeza.


Cena 1: No meio de sua crise de meia idade Bob Harris liga para a esposa. Fala de mudanças, de planos, de felicidade e várias coisas. A esposa, completamente insensível, responde: "Bob, eu preciso me preocupar com vc?". Desolado ele diz: "Apenas se você quiser".



Cena 2: Grávida, soropositiva e freira a personagem de Penélope Cruz recebe a visita da mãe que, até então, nada sabia do seu estado. A mãe confusa pergunta: "Rosa, o que você quer que eu faça"? Rosa olha com comiseração e cansaso e apenas responde: "Nada".

Bob Harris não queria envolver a mulher na crise, mas queria toda a ajuda dela para sair. Rosa, num filme em que todos possuíam atitudes de mãe para com os outros, era a única a possuir uma mãe (no sentido biológico) na tela. E essa mesma mãe a única a não agir como tal.
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Indelicadeza e insensibilidade perpassavam as duas cenas. Por não notar e não perceber as necessidades do outro. Fica óbvio que, a partir do momento em que a pessoa ñao se expressa e não deixa claro o que precisa, é extremamente difícil para o outro saber como agir e até mesmo saber que alguma ação é necessária. Por outro lado, existem situações tão gritantes e, ao mesmo tempo, tão difíceis de serem explicadas, que fogem de qualquer necessidade de pormenores.
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Possuo uma dificuldade extrema em verbalizar sentimentos. E boa parte deles apenas consigo aqui, entre a cadeira e o teclado. Seja diretamente no blog, seja ficcionalizando, nos meus contos. Ou de um jeito ainda mais delicado: assistindo a filmes e me vendo em diversas personagens. Talvez, por isso, goste tanto das duas cenas. Vejo-me nessa situação várias vezes. E isso gerou em mim algo curioso: um senso de sobrevivência e uma vontade-necessidade-habilidade para curar minhas feridas sozinho.
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Tenho pânico de necessitar de alguém para qualquer coisa, principalmente para curar meus sentimentos. Mas há vezes em que a autosuficiência cai por terra. Em outras vezes, os problemas residem justamente ao lidar com outras pessoas e acabo a mercê da percepção alheia. Tudo seria mais fácil se eu soubesse falar, mas ás vezes me vejo mudo. E só.

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The Optimistic - 23:09:00 0 comments


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sábado, 6 de dezembro de 2008

Vicky Christina Barcelona


Apesar do título, nao é um texto sobre o filme. Pretendo fazê-lo em outra hora. O que me anima a escrever, entretanto, é o filme. Confuso? Não. Explicando melhor.

Foi meio chocante observar a Scarlett Johansson no filme. Uma certa felicidade ao vê-la em pleno domínio da arte. Uma mulher. Muito longe da menina que encantou em "Lost in Translation". São personagens diferentes, com personalidades, vidas e, principalmente, destinos completamente diferentes.

Mas ver a Scarlett fazendo papel de gente grande me fez lembrar automaticamente da menininha perdida no ínicio da fase adulta de "Lost". Me bateu uma pontinha de tristeza quando lembrei que ela tem a minha idade. Ainda estou meio melancólico depois do filme. Há muito tempo que não tinha essa sensação de ser como a Charlotte e de uns dias pra cá retorna esse sentimento. Essa sensação de isolamento, de não pertencimento. Uma vontade de fugir do mundo pelo simples fato de que o mundo não se adapta a mim (e jamais se adaptará).

Ver a Scarlett no filme e perceber esse contraste brutal, me fez perceber como ainda sou muito Charlotte. Eu que achava que havia passado para uma outra fase me vejo arremessado nela. Não, não arremessado nela. Nunca saí. O que me lembra até uma das cenas do filme que mais gosto. Quando a tiazona-ruiva-perigute abre a porta do quarto, o desapontamento acachapante que fica evidente no rosto da Charlotte pouco tem a ver com ciúmes. Não. Apenas que o Bob conseguiu quebrar o círculo muito pouco virtuoso ao qual estava inserido. Conseguiu tocar o mundo, conseguiu estabelecer contato. E ela? Ela continuava no mesmo lugar em que estava. E pior: agora sem ele. Foi exatamente o que senti quando a vi no filme.

Óbvio que começo a misturar estações, idéias e conceitos. Justamente isso explica meu estado de espírito: sentimentos confusos. Vicky Christina Barcelona mexeu comigo em duas dimensões. Mexeu pelo filme fabuloso que é em si. Todavia, mexeu em mim também nesse aspecto completamente pessoal (e um pouco esquizóide, vamos e venhamos) da minha "relação" com Charlotte/Scarlett. Voltei pra casa com uma vontade cruel de rever o filme. Isso não é novidade. A novidade é um certo temor. Falta-me coragem. Acho que nunca deixei de cantar "Just Like Honey".

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The Optimistic - 02:17:00 1 comments


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Síndrome de Estocolmo*

Sempre fui um pouco fascinado pela "Síndrome de Estocolmo". A idéia de que em uma situação hostil a pessoa acaba se apaixonando por aquele que menos lhe agride, sempre me soou fantástica. Me parece meio óbvia, mas ao mesmo tempo é uma daquelas obviedades que necessitam alguém para puxar o fio e dizer "hey, olha ali" e, então, tudo fica claro.

Não sei se influenciado por essa minha fascinação tendo a enxergar a síndrome em tudo e todos. Mesmo nas relações mais cotidianas e banais (relações de trabalho, por exemplo). Obviamente, nem sempre se tratam de paixões. Alguém pode descobrir uma afinidade não por motivos comuns e casuais, mas por encontrar abrigo em um ambiente de hostilidade e daí começar a desenvolver sentimentos (que não necessariamente perpassam pelo amor, mas, talvez, admiração, amizade, carinho) por aquele que lhe proporciona melhor tratamento.

E como não poderia deixar de ser acabo por começar a enxergar isso também nos meus relacionamentos amorosos. Não sei se influenciado por essa minha fascinação (II) ou se muito mais pela minha auto-estima um tanto quanto detonada, acabo por achar que sempre a lógica que opera meus relacionamentos é o da síndrome. Me considero um cara bacana. Assim como aquela moça também fui criado na igreja do "seja legal com os outros e coma de boca fechada". Acho que acabo sendo meio ponto de apoio em ambientes hostis.

Mas vá lá. Ainda que fruto de uma pretensa síndrome teriam esses sentimentos menor validade? Ou será que isso não traz demérito algum? Afinal, o ponto central para onde convergem todos os sentimentos (tenham que natureza for) será sempre o objeto amado. Nem sei. Ando numa fase de pouquíssimas conjecturas. (Vide o hiato brutal no blog). E, desse modo, essa pergunta nem de longe constitui problema. Mas lá no fundo, ouvir ecoando essa pergunta dá uma certa ponta de tristeza. A gente quer sempre acreditar que somos o centro de vários umbigos. Mesmo os que não os nossos.

*Não, não é a música do Muse! :P

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The Optimistic - 01:59:00 2 comments


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Eu.

Philipe

Campos - RJ

Ficção e não-ficção.


Leio:

Green Plastic
Omelete.
Cronicalidades.
Martini Seco.
Hel Looks.
Cafeína.
Cotidianidades.
Perto do Coração Selvagem.
Vida na Islândia.
Amor e Hemáceas.
Actions e Comics.

Recentemente:
|Algumas notas sobre música.|
|Go, Spidey!|
|A quem interessa o meu umbigo?|
|Tempo.|
|Se arrependimento matasse...|
|O Diário do Clima.|
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