the optimistic

         (living in a glasshouse)

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Verbo das incertezas.

E no meio do feriado sem sentido, grito pelo sentido. Sem querer me vejo rebuscando significados. E pela primeira vez em muito tempo fico em paz ocm a espera por respostas definitivas. Que as quero é de fácil constatação e mais do que certeiro. Mas me encontro tão tranqüilo que espero com a calma de quem já levou muito tempo para chegar a qualquer lugar. Se tanto tempo foi gasto assim, frente ao desfecho, resta esperar paciente. Até porque acredito na possibilidade da permanência da indecisão por ainda mais tempo.

Escuto Adriana Calcanhotto recém-saída do forno (já ta nas lojas ou apenas no submundo virtual?). Delicinha, delicinha. Ela, então, se pergunta na faixa 2 "por onde anda o pensamento". Eu me pergunto também: por onde anda o pensamento? Acredito que está em mim. O verbo das incertezas antigas se conjuga no tempo presente e o tempo futuro flexiona novas incertezas. Volto a reaprender que são inevitáveis. Convivamos em paz com todas elas. Enfrentando uma a cada dia e comendo em silêncio depois da batalha.

Marcadores: , , ,

The Optimistic - 18:54:00 3 comments


-:-:-

domingo, 13 de abril de 2008

A Ausência

(Carlos Drummond de Andrade)

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.


Alguma coisa estalou aqui dentro. Drummond nasceu no mesmo dia que eu, ok?

Marcadores: , , ,

The Optimistic - 19:45:00 3 comments


-:-:-

sábado, 12 de abril de 2008

"Faça com que se perguntem por quê ainda sorrimos".

Porque sinto como ficarei de coração escuro ao constatar que, mesmo me agregando tão pouco à alegria, eu era de tal modo sedenta que um quase nada já me tornava uma menina feliz. (Clarice Lispector)

Reparo, sem assombro algum, que muitas coisas já não mais me paralizam. Certas coisas já não mais produzem em mim o mesmo efeito bomba-atômica de antes. E não há incômodo nisso. Pelo contrário, há certo conforto. Apenas que ainda não entendo muito bem as causas disso tudo. Teria eu evoluído até a impessoalidade da ausência de sentimentos mais coloridos? Ou teria atingido uma complacência com os reverses da vida do tamanho de uma grande anestesia?

Que eu sempre gostei das tintas fortes, dos desvarios mais altos, de sentir mais fundo qualquer coisa. E nunca me importei nem um pouco em sentir as quedas mais altas, em sofrer as conseqüências de uma paleta de cores equivocada e das profundezas de grandes desatinos. E até acredito que continuo assim. Não quero jamais olhar para trás e sentir que fui anestesiado pela vida. Mas quero encontrar o ponto em que eu consiga sentir bem forte o que me faz bem e saber superar o que me faz mal. Que lá no fundo essa sublimação das coisas vem junto com outro lado da moeda. Se tudo é sentido mais forte, qualquer alegria me é grande aletria. E viva Clarice na sua tradução perfeita.

Hoje mais cedo, eu pensei que poderia chorar. E me preparei para isso. Até que percebi o ridículo da coisa - logo eu, que nunca havia chorado por semelhante razão. Então, lembrei de algo que ouvi uns dias atrás: "make them wonder why you're still smiling". As lágrimas secaram antes mesmo de sair e o sorriso veio maroto. Lembrei de uma coisa que havia dito por aí, meses atrás, "eu jamais vou sentar e chorar por qualquer coisa". Bati a palma de uma mão na outra uma única vez e disse em silêncio, para mim mesmo, "vamos lá". Levantei e fui em frente. Sorrindo.

Marcadores: ,

The Optimistic - 18:35:00 1 comments


-:-:-

Eu.

Philipe

Campos - RJ

Ficção e não-ficção.


Leio:

Green Plastic
Omelete.
Cronicalidades.
Martini Seco.
Hel Looks.
Cafeína.
Cotidianidades.
Perto do Coração Selvagem.
Vida na Islândia.
Amor e Hemáceas.
Actions e Comics.

Recentemente:
|Algumas notas sobre música.|
|Go, Spidey!|
|A quem interessa o meu umbigo?|
|Tempo.|
|Se arrependimento matasse...|
|O Diário do Clima.|
|Não pense que te quero mal, apenas não te quero ma...|
|O criador e a criatura (não necessariamente nessa ...|
|Before Midnight (2013).|
|Narciso (?).|

Passado:
|| Dezembro 2005 | Janeiro 2006 | Fevereiro 2006 | Março 2006 | Abril 2006 | Maio 2006 | Junho 2006 | Agosto 2006 | Setembro 2006 | Outubro 2006 | Novembro 2006 | Dezembro 2006 | Janeiro 2007 | Fevereiro 2007 | Março 2007 | Abril 2007 | Maio 2007 | Junho 2007 | Julho 2007 | Agosto 2007 | Setembro 2007 | Outubro 2007 | Novembro 2007 | Dezembro 2007 | Janeiro 2008 | Fevereiro 2008 | Março 2008 | Abril 2008 | Junho 2008 | Julho 2008 | Agosto 2008 | Dezembro 2008 | Janeiro 2009 | Março 2009 | Maio 2009 | Agosto 2009 | Setembro 2009 | Outubro 2009 | Julho 2010 | Agosto 2011 | Novembro 2011 | Janeiro 2013 | Fevereiro 2013 | Março 2013