the optimistic

         (living in a glasshouse)

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

"O Gangstêr".


Minha primeira experiência com Ridley Scott não foi das melhores. Até hoje não sou muito fã do "Gladiador". Somada a antipatia com Russel Crowe... Desastre completo. Mas depois de outros filmes do diretor (e uma simpática segunda dobradinha dos dois em "Um bom Ano"), passei a admirá-lo, crescentemente. Talvez, ainda permaneça a idéia de que a obra-prima seja "Blade Runner", mas "O Gangstêr" concorre fácil para tomar esse posto. Uns ecos de "Os infiltrados" até podem ser sentidos no filme, mas acho reducionismo (e o caminho mais fáciL) comparar os dois "grandes" filmes policiais de 2006/2007 - como muita gente tem feito. É inegável que Ridley está mais violento e mais "chocante", todavia seria impossível contar com muitos pudores a história do maior traficante do Harlem, em tempos de violência e corrupção institucional descontrolada em NY (ao final do filme ficamos sabendo que 3/4 da divisão de repressão a narcóticos da época foi processada por envolvimento com corrupção). "O Gangstêr" tem qualidade própria e estilo. A câmera alternando entre um tom mais convencional e um tom semi-documental (como nas batidas policiais) é nervosoa a todo o tempo. As interpretações, excelentes - cadê Dezel Washington entre os indicados a melhor ator? Direção de arte magnífica - junto com a ótima trilha sonora (tanto as músicas qnt a incidental) você vivencia a Nova Iorque /Nova Jérsei moral e fisicamente imundas dos anos 70. Além de um roteiro estruturadíssimo: as histórias dos dois homens que irão se confrontar um momento são construídas em paralelo e com tanto vigor, que você até se esquece que o embate entre eles é inevitável, até acontecer. E o resultado é imprevísivel. Desde já meu favorito a injustiçado do Oscar 2008.
P.S.: Detalhe a "musiquinha" da Jackie Brown no filme, "Acros 110th Street" de Bobby Womack, hehehe. Mais apropriada impossível.

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segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

To be continued...

Nâo são dias nem levemente doloridos. São dias que têm um sabor estranho, residual na boca. Um leve incômodo que parece passageiro. Dormir sem escovar os dentes? Cochilar depois do almoço? Ou qualquer outra dessas coisas inconclusas que a gente se permite vez-e-meia. Ecos de janeiro? (Que, felizmente, agoniza seus últimos suspiros nessa semana). Não sei.

Como sempre, nada teve origem em janeiro, mas parece reverberar mais violento nesse primeiro mês. Sempre me incomoda o caráter transiente de todas as coisas nos dias úmidos que abrem o ano. Se meus anos já me permitem me chamar de homem, acrescentaria que sou homem das coisas fixas, desejosamente imutáveis. E vem então a única certeza: do desapontamento, pois tudo o mais é fluido como água, mas não tão cristalino. Sempre há o "dia depois de amanhã", a continuação imprevista, o desenrolar quase fatal e decisido dos fatos que nada mais é que geração de nova película. Fulgura ao final, cintilante: "to be continued".

Penso muito nas personagens de Rubem Fonseca: todas aprisionadas em suas humanidades defeituosas e completamente a parte de qualquer senso de rigidez moral. Não há idealizações e nem de longe inocentes ou culpados: todos fazemos parte do mesmo mosto embolorado e causticante. Quem se salva? Eu gostaria. Mas sei dos efeitos deletérios o meu e de qualquer caráter. Buscando jutificativas, se citei o mestre, recupero sua própria frase: "tudo são vastas emoções e pensamentos imperfeitos". De súbito vem-me uma vontade de subverter a ordem e dizer: vastos pensamentos e emoções imperfeitas. Mas será que existe uma emoção imperfeita? Novamente, na busca pela certeza, só vem uma: as emoções são vastas: abarcam todas as que posso imaginar, até as contraditórias.

E sem saber onde reside a imperfeição, vou seguindo assim, na minha vidinha de caçar borboletas.

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sexta-feira, 25 de janeiro de 2008


"Ele sorriu. Estendeu as mãos, tocou-o também. Vontade de pedir silêncio. Porque não seria necessária mais nenhuma palavra um segundo antes ou depois de dizerem ao mesmo tempo:

- Quero ficar com você.

Provaram um do outro no colo da manhã.

E viram que isso era bom".

(Caio Fernando Abreu - Pela Noite).

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quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Conduta de Risco


É um filme muito bom. Tilda Swinton comanda sempre que aparece na tela. Seu ar aristocrático e a frieza que naturalmente emanam dela são perfeitas para a dupla face de um papel que fácil, fácil resvalaria no cliché: a megaexecutiva-impiedosa-de-corporação-capitalista-gananciosa. E ainda acho que o diretor perdeu de fazer a última cena ainda mais pungente se se concentrasse mais nela que no Clooney. Ela conseguiu muito, mas teria ido ainda mais além... George Clooney realmente está na sua melhor forma. Mas o filme merecia tantas nomeações assim? (Foi nomeado ao Oscar 2008 de melhor filme, melhor direção, melhor ator (Clooney), melhor ator coadjuvante (Wilkinson) e melhor atriz coadjuvante (Swinton)). Sei não. Acho que a de Clooney e Tilda bastavam. E, assim mesmo, apenas isso: nomeações.

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terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Poléxia - Onde você quer chegar.

Bão demais.

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sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

A rosa púrpura das mentes fantasiosas.



Outro dia, conversando com um amigo, disse que o seguraria pelos ombros, sacudiria e depois estabefearia o rosto, gritando: "acorde, volte a si". Como nos filmes. Duramente ele apenas me respondeu que eu estava a assistir a filmes demais. Nem sempre é como nos filmes.
Confesso que parei por uns dois segundos. Faltaram as palavras e não soube o que responder.

Num primeiro momento, logo me veio a cabeça Radiohead "não é como nos filmes, eles nos alimentam com pequenas mentiras". Depois, que parei mesmo, não sabia o que responder. Sabe quando a razão bate a sua porta? Transcendi a situação corriqueira e pensei no tudo o mais, na minha insitência em desenhar cenários, escrever trilhas sonoras e escrever longos roteiros ao sabor das minhas vontades. Pentei em dar o braço a torcer, mas, então, lembrei-me que no dia anterior havia assistido a última cena de "A Rosa Púrpura do Cairo".

Cecília (Mia Farrow) encontra seu triste fim ficando à deriva do sonho hollywoodiano. O final de sua história nem de longe se assemelharia aos filmes que religiosamente acompanhava. A farsa havia caído; a fantasia construída, derrubada ao pó. Que lhe restava fazer? Entrou novamente no cinema e vendo Gene Kelly dançar, as linhas caídas do rosto se transformaram num sorriso. Cecília sonhava outra vez.

Talvez, seja isso. Minhas fantasias caem, frustrações se acumulam, mas eu sento pra sonhar outra vez. E me pego sorrindo, pensando num "hollywood ending". Em todos os aspectos da minha vida. Como o próprio Woody Allen disse anos antes: "nem todos se corrompem". Falei isso para meu amigo. Só não sei se o convenci.


Eis que agora de assalto me lembro de Caio: "no meu demente exercício para pisar no real, finjo que não fantasio. E fantasio, fantasio". Talvez, devesse parar de fingir e aspirar de vez o perfume não tão exótico dessa rosa púpura das mentes fantasiosas.

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terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Luiza e Philipe.

"Um dia em que não sentiria essa necessidade tão forte de qualquer coisa que nunca soube definir. Que não sentiria essa necessidade de alguma coisa para assustar uma solidão tão obscura que até hoje não a entende e teme como se teme a tudo o que é ruim".

Faz parte de um conto que ando escrevendo. A personagem principal é a Luiza. E, nem sei porque, já desenvolvi um carinho enorme por ela. Mas quando cheguei nessa parte, encuquei: seria Luiza ou seria Philipe?

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sábado, 12 de janeiro de 2008

"one is the loneliest number".

Ignoro a razão, mas o fato é que me veio a lembrança do dia em que me senti tão sozinho que o sentimento escapou as sensações transientes e etéreas e se fez físico. Do dia em que senti a solidão no corpo, doendo fininha e constante. De um dia em que chorei desabando, desmanchando em pedaços essa coisa estranha de se sentir só.

Reflexo do momento? Sabe que nem sei? Janeiro sempre me tem dessas surpresas desagradáveis. Momento de me confrontar involuntariamente com o que gosto e o que não gosto em mim. Mas confesso que senti lá um medo, até certo ponto, infundado. Medo dessa solidão (talvez, ilusória) tomar conta de mim de novo. Não vou saber o que fazer.

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felicidade clandestina.

Há aquelas vezes em que a gente deixa de estar feliz (nem falo de ser, penso mesmo no transitório do estar) por bobeira boba, coisa pequena diminuta. Como ficar deitado remoendo uma tristeza velha, quando um motivo pra ter uma alegria de iluminar o dia te chama ali e vc nem percebe - porque estava remoendo coisa inexata, elocubrando em cima de idéia vadia-tristona. Então, tá. Decidi deixar de ser chato e reacionário por (pelo menos) um dia. Deu certo. Sei que a minha vocação não é daquelas de aceitar o açúcar fácil, retirado em pitadas do açucareiro. Eu quero sempre o bolo confeitado (com direito a todas as cerejas) - mesmo sem nunca ter comido muito dele, nem saber direito como é essa coisa. Afinal, sempre parece menos. Sempre menos. Mas vale o exercício. Dá até vontade de praticar. E quem sabe a gente não consegue ir levando a vida assim, com mais leveza?

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The Optimistic - 04:57:00 0 comments


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domingo, 6 de janeiro de 2008

This is the straw final straw.

Principio o ano pensando em finais. Mariel Hemmingway pede a Woody Allen para ser mais esperançoso no final de Manhattan. O próprio Woody Allen justifica paixões com seu ovo no final de Annie Hall. Chlöe Sevigny sorri com as luzes ao final de Meninos Nâo Choram. Malcom McDowell sorri irônico ao final de Laranja Mecânica. E quase sempre finais de esperança. Ainda que calcados em frustrações e maus momentos, finais de esperança. Talvez, mais fortes, pois alicerçados na dificuldades não se deixam levar por ventos ilusórios ou desabar com torrentes contraditórias.

Dizem que todo fim é um recomeço. Nem penso assim. Acredito que há muitos finais que nada mais sejam do que isso: finais. Como todos os anos, tenho sentimentos em relação ao ano e até o momento jamais errei em minhas suposições. Esse 2008, parece-me, será recheado de finais. E o que também parece correto supor é que dessa vez serão finais a abrir inícios.

Não sei até que ponto tenho a sensação e a partir de onde vem uma esperança, mas o fato é que acredito que esse ano vem destinado a causar grandes mudanças e melhor: boas mudanças. Tenho a impressão que não são as mudanças que escolheria, caso me fosse facultada a possibilidade, mas, ainda assim, fatalmente proveitosas e, o mais assustador, duradouras.

Imaginei um 2006 de mudanças - e minha vida deu pequenas e grandes reviravoltas, principalmente interiores. Veio-me à cabeça um 2007 de acontecimentos estranhos e muito díspares do que poderia me imaginar (tanto para o bem quanto para o mal) - e, de fato, coisas estranhas (boas e ruins) se espalharam pelo ano. Estranhei até a mim mesmo e certas atitudes que tomei. Fugiria 2008 dos meus desígnios? Nâo sei.

E como todos os anos principiei os primeiros minutos do ano com um momento todo meu, minha única "tradição", a primeira música do ano. Esse ano escolhi "Chocolate" do Snow Patrol. Justamente por falar disso: início. "Making my firt steps as a child of 25". Tenho tanto o que aprender que basta trocar cinco por dois e lá vou eu.

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Eu.

Philipe

Campos - RJ

Ficção e não-ficção.


Leio:

Green Plastic
Omelete.
Cronicalidades.
Martini Seco.
Hel Looks.
Cafeína.
Cotidianidades.
Perto do Coração Selvagem.
Vida na Islândia.
Amor e Hemáceas.
Actions e Comics.

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|Tempo.|
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