the optimistic

         (living in a glasshouse)

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Pessoas silenciosas.

Estava sentado quando a vi. Vinha mancando e os braços um pouco desajeitados por conta de sua doença. Carregava um olhar distante, carregado daquela tristeza que dói porque já está há muito resignada. Extrapolo o que posso de fato afirmar, mas imagino: um olhar de quem olha a vida com os olhos dos sonhos que jamais serão realidade.

Conseguiu me tocar com essa tristeza toda e afundou em mim vários sentimentos do mesmo timbre, a mesma nota, mesmo tom semi-morto. Sempre me atraem as pessoas silenciosas de olhares baixos. Notas mudas que se fazem marcantes pelo contraste: o silêncio invade o som e se revela no que não-é. Senti-me estranho, o peito apertado, a cabeça um pouco pesada. Evitava olhar, mas possuía o magnetismo irrecusável das coisas que preferimos não conhecer. Não conseguia me desviar de seus olhos tristes. Pensei já me repreendendo: "tadinha". Quem sou eu para ter pena de alguém?, mas tive. O mal estar aumentou. Agora, sentia culpa. Que eu tenho essa mania: sentir culpa pelo mundo.

Então, o que não compreendo: comecei a chorar. Silencioso, com poucas lágrimas, protegido no escuro. A sorte se revela especial certos dias: logo vi meu ônibus. Subiu-me de repente um alívio de poder sair dali. Levantei apressado, fiz sinal e subi as escadas num galope exagerado. Deixei um pedaço da tristeza naquele local enegrecido, cinza da fuligens dos carros, amassado pelo passar desapercebido de tantas pessoas. Teria vergonha de enfrentar as luzes do coletivo com os olhos vermelhos. Minha tristeza ficou no escuro do lado de fora. Mas ainda restou um pouco - no que de escuros têm meus cantos.

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terça-feira, 23 de outubro de 2007

Correntinha literária.

1ª) Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2ª) Abrir na página 161;
3ª) Procurar a 5ª frase completa;
4ª) Postar essa frase em seu blog;
5ª) Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
6ª) Repassar para outros 5 blogs.

"O bom tempo deve segurar muitos homens esportistas no campo!" (Jane Auste - Razão e Sensibilidade).

Passo a bola para: ninguém. Meus amigos blogueiros todos desistiram. :-( Talvez, o Doodoo, se ele ler aqui.

É, Gabriel, acho q o Orkut vai ser pago!

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sábado, 20 de outubro de 2007

"Se eu for eu vou assim não vou trocar de roupa..."

Acho que ando bambeando por essas escolhas irrevogáveis(?) ao sabor do momento. Simplesmente que o que se dará como mais confortável agora é o que será minha eterna escolha até daí a pouco. No que o momento transforme tudo o mais, lá vou eu mudar a minha opinião. Prova, então, irrefutável que não há escolha, mas apenas um acerto de conveniências rasteiras com o presente. Vá lá. De todo o modo essas "escolhas" são apenas suposições, tiros no escuro que finjo revestir de uma pretensa certeza.

São essas conjecturas de dias que vêm se arrastando sem uma precisão muito clara; não sabia definir muito bem que as coisas estavam assim. Há dias também queria identificar essa música. No que descobri e prestei atenção à letra, me veio essa constatação:
"Eu quero ficar perto de tudo o que eu acho certo
Até o dia em que eu mudar de opinião
A minha experiência, meu pacto com a ciência
Meu conhecimento é minha distração".

E por quê do incômodo? Dúvidas e indecisões não são das coisas mais agradáveis para os ansiosos crônicos e incontroláveis (eu!). Mas uma coisa são dúvidas e indecisões quanto ao que independe de sua vontade e, portanto, apenas o tempo pode trazer a resposta mais adequada. Algo bastante diferente diz respeito a duvidar do que se quer. Dá-me uma sensação de falta de genuidade nos sentimentos pautar futuras decisões no flutuar das águas. Quero bases de decisão mais profundas que meu estado de espírito num momento específico.

Ou será que se for para ir, é melhor ir assim, sem trocar de roupa? E se no meio do caminho exigirem algo a mais (ou eu mesmo me exigir), eu dou meu jeito, me desfaço em pedaços e recomeço de onde nem souber que parei?

Assumo que tenho tendência a encarar todas as decisões como irrevogáveis...

"Coisas que eu sei
O medo mora perto das idéias loucas
Coisas que eu sei
Se eu for eu vou assim não vou trocar de roupa... é a minha lei"

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quinta-feira, 18 de outubro de 2007

"Forget about your house of cards and I'll do mine".

Dizem que a felicidade é ter um objetivo alcançado e ter um objetivo por alcançar (ou algo assim).

Mentira.

Felicidade é você ouvir o disco novo da sua banda favorita e descobrir que ele é perfeito! Desde domingo de manhã não consigo escutar outra coisa.

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segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Água viva das incertezas.

Solitariamente, construo diálogos imaginários. Nem mesmo me preocupo em talhá-los à perfeição, soariam ainda mais falsos. Lembro de Adriana: "escrevo longas cartas pra ninguém". Sou diferente: minhas missivas possuem interlocutores. Imagino suas respostas e talvez aí resida o certeiro das minhas divagações: eles sempre respondem o que quero e apenas me perguntam sobre o que tenho respostas ou sobre as coisas as quais quero deixar transparente a minha dúvida.

Estranho pensar assim, mas corre cristalina a água viva das incertezas. Estranho por habitarem o mesmo espaço o que é puro, cristalino (a noção exata do que me é incerto) e a obcuscuridade, a ausência de clareza (as dúvidas, em essência). São movimentos de contrários que se combinam, ressaltando o que é mais preemente no outro.

Meus diálogos interiores são tentativas vãs de apaziguar a inequietude de tudo o que não sei. E se são tantas as coisas que me fogem do controle, tão forte será também a vontade de expurgar esse gosto estranho, residual na minha boca. Essa é a água viva que embebeda meu estômago, inunda o corpo até a garganta. Não sufoca, não agride, não leva à perda dos sentidos. Tem efeito contrário: atiça o braseiro dos sentidos, alerta o espírito na busca dos sinais que extirpem a obscuridade, que expliquem as incertezas. Ainda que no fim sejam apenas sinais, a certeza absoluta e irrevogável apenas poderia vir dos diálogos. E, esclareço, os verdadeiros.

De certo que concordo no que se diz ser a "destruição uma forma de criação". Não é o que faço? Ainda que acredite estar imerso num processo de construção de algo novo, estou destruindo. Destruo os acordes mais agudos das minhas dúvidas no que as transformo em conversas imaginárias. Crio verdades que estão acima de julgamentos de falso ou verdadeiro. Enquanto a hora da revelação não vier, nada são além de minhas verdades. A tampa da caixa está fechada. O gato de Schrödinger não está vivo, nem está morto. E mesmo que deseje a certeza de sua vida, é reconfortante a incerteza de sua morte.

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sexta-feira, 5 de outubro de 2007

"To me sentindo meio arroz-com-feijão".

Ando com as emoções fragmentadas, se revelando em pedaços. Difícil até mesmo de definir o que se passa. Um mosaico composto de pequenos pedaços que, isoladamente, significado algum possuem e, conjuntos, apenas caotizam qualquer tentativa de definição. Dias estranhos, sensações incertas. Levemente insensato, talvez. Não sei. É como uma rajada fininha de um vento levemente cortante, a gente sente, a gente define de onde veio, mas é tão fugidio que escapa tão furtivo quanto veio.

Peguei um Clarice ontem para ler; dormi antes de temrinar o primeiro conto. Hà dias arrasto para ler "Limite Branco" do Caio. Há semanas não consigo assistir um filme inteiro - exceção aos que já vi antes. E, normalmente, são todas essas coisas que me dão a dimensão exata do que entendo como eu. Continuo apaixonado por tudo o que sempre me despertou paixão, continuo buscando a vida em cada palavra, mas sinto o ânimo se esvair frente às outras obrigações. Essas mesmas obrigações que me esvaziam e diluem os meus sentimentos.

Ando meio desencontrado de mim mesmo, sem tempo de ser.

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Eu.

Philipe

Campos - RJ

Ficção e não-ficção.


Leio:

Green Plastic
Omelete.
Cronicalidades.
Martini Seco.
Hel Looks.
Cafeína.
Cotidianidades.
Perto do Coração Selvagem.
Vida na Islândia.
Amor e Hemáceas.
Actions e Comics.

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|Algumas notas sobre música.|
|Go, Spidey!|
|A quem interessa o meu umbigo?|
|Tempo.|
|Se arrependimento matasse...|
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