the optimistic

         (living in a glasshouse)

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Dos momentos que a vida nos proporciona.

Existe coisa mais desagradável do que ouvir a Jéssykah do Parque Lebret oferecendo "Desejos" do Mc Marcinho para o namorado [sic] Craudinei?

Existe: ouvir a própria "Desejos".

Juro: nunca mais vou a academia com a bateria do mp3 player fraca. Fico em casa, mas não vou! E pensar que antes eu ouvia Richard Ashcroft...

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quinta-feira, 23 de agosto de 2007

A vida marinha com Philipe A.


Daqueles mergulhos submarinos tão profundos que me faziam as lentes do escandarfro rachar, pouquíssimo me sobrou hoje em dia. A vida submarina que tanto me encantava e eu insistia em revestir de glórias, poderes mágicos, qualidades substanciais e, lógico, sempre me parecia vital (ainda que intocável), já não se encontra tão distante.

A vida nunca foi submarina. Sempre se perfez em terra firme, bem ao alcance dos meus olhos. Talvez, esse era o grande problema: apenas ao alcance dos meus olhos. Assim como todos os seres submarinos se encontravam longinquamente perdidos e, em meus mergulhos, nada além de vislumbres e breves encantamentos me fossem permitidos, também os seres terrestres eram muito pouco tangíveis. Pequeninos fantasmas vagando perdidos num limbo bastante acinzentado entre o céu e a terra. Um vasto purgatório onde eu me conservava numa bolha inerte e muito pouco vistosa para todos os que observavam de fora. Uma bolha de vidro, life in a glasshouse.
Que não se enganem: eu sempre toquei a vida. Com o coração mais selvagem que poderia ter, com o gosto mais forte que minha boca pudesse suportar, com a experiência dos pouquíssimos anos vividos com a tenacidade que, hoje sei, poucos viverão numa vida inteira.
Mas havia algo mais além, havia partes interditas, havia seres que estavam eternamente distantes e apenas desfilavam frente às paredes da minha casa de vidro. Eu fugia e buscava conforto nas profundezas do oceano. E o que era o oceano se não o mundo das impossibilidades? Se apenas se alcança a resposta quando se conhece a pergunta exatamente, formulei a pergunta mais dificil de ser respondida. Melhor: formulei a pergunta e obtive a resposta exata. Perfeitamente esquadrinhada na impossibilidade. Mascarava as ausências e dificuldades com o desejo por algo inalcançável.

Entretanto, chegou o dia em que alcancei o inalcançável. Ou assim pensei. Estive tão perto que até senti lufadas do ar da superfície correndo vadias entre minhas mãos e ainda sinto, mas as coisas se mantém e o inalcançável continua distante e desenhado apenas para que eu veja. Nâo raro, circula por aqui e trás pequenos goles de coisas distantes, cheiros de mundos que contemplo, mas não convivo. Apenas essências, traços, acordes. Antes volta e meia me vinha uma fúria, uns pedaços de embriaguez e turvamento da mente simplesmente porque nada tinha. Hoje, volta e meia me vem uma fúria, uns pedaços de embriaguez e turvamento da mente. Porque parece mais próximo, mas é apenas efeito de ótica.

Novamente, que não se enganem. Meus sorrisos são sinceros, minhas palavras naturalmente espirituosas, meus olhares realmente argutos, meu bom humor genuíno. Continuo sentindo "a vida em cada palavra até a amplitude do que é absurdo", mas acho que lá no fundo ainda sou constructo de frustrações.

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quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Trash.



Quem me conhece sabe que cada dia fico mais apaixonado pelos filmes do Woody Allen. Mas tem uma cena dele que é uma das mais trashs do cinema.

Acho que nunca vou esquecer a Rada Mitchel (ainda que em boa interpretação no filme) em "Melinda e Melinda" (2004) segurando um cigarro na janela e se lembrando de que quando tudo estava ruim na vida dela (marido que espancava, pobreza, morando no fim do mundo), fazia questão de se dizer:

"Você é Melinda Harris e vem do Upper West Side".

Com direito a tremedeira e olhar perdido no horizonte.

CLÁSSICO!

P.S.: Eu vi o filme há uns bons dois anos atrás e, sinceramente, nem sei por que me lembrei disso novamente, agora!

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"You can pin and mount me, like a butterfly".

Ainda outro dia vadiava um CD-R virgem por aqui. Sempre tive essa coisa meio Rob Flemming de gostar de listas & compilações. Adoro a "angústia" de juntar um bando de músicas e ficar quebrando a cabeça para encaixá-las de modo fluido e ao mesmo tempo produzir quebras, cortes, etc. Jà há tempos tinha desenvolvido AS minhas cinco músicas favoritas. Olhei pro CD e bateu aquela vontade de fazer um CD inteiro com as minhas favoritas - as cinco, obviamente, e tantas outras. Fiz.

Passaram os dias e nem lembrava mais do disco. Até que mexendo nuns DVDs achei o cd esquecido. Creio que não mais de três meses antes ele havia sido gravado, mas já me lembrava muito pouco do que continha. Enquanto ajeitava outras coisas me pus a escutá-lo. Para além de vários "ohs", não conseguia deixar de pensar como havia ficado boa e representativa (de mim mesmo) a compilação. Até que de repente aquela batida seca e o vozeirão me fizeram parar por completo...
The Smiths - Reel Around The Fountain
De pronto voltei uns quatro anos no passado e me vi em 2003. Foi um ano de mudanças. Das mais prosaicas às grandes que têm suas conseqüências até hoje. Se na época grande sentido já me fazia, hoje pareceu ainda mais completa, olhando em retrospecto, ouvir:
"It's time the tale was told
Of how you took a boy and made him old".
Acho que envelheci uns cinco anos em 2003.
Nunca gostei de associar músicas a pessoas. A momentos, lugares, acontecimentos, sim. Não a pessoas. Sempre me fica aquele medo de tudo se passar, se esvair e no fim a música também necessitar ir-se. Durante muito tempo essa música me esteve interdita. Ainda que os anos tivessem passado, ela parecia reacender alguma cicatriz. Não por quem a música me trazia, mas pelo conceito que me fazia ter de mim mesmo. Fazia com que me sentisse bobo, infantil, iludido, crente em excesso...
Ouví-la há poucos dias foi diferente. Talvez quatro anos foram tempo suficiente para me fazerem entender que buscar, querer e sentir as coisas do jeito que faço são o MEU jeito de necessitar das coisas. Nâo há muito tempo que elegi-me a aletoriedade e a exclusividade. É dificil prever: é aleatório; é dificil padronizar: é particular. Ainda me iludo (sim, graças a Deus!) e triste de mim se deixasse de me iludir. Tristes os descrentes que nada mais ambicionam que não o capim cotidiano. Sim, me iludo, mas agora sei quando me iludo (e não me canso de repetir isso). E escolho quando devo prosseguir ou não no mundo da ilusão.
No fim, a música acabou se tornando um memorial, uma foto do passado, um representativo do que já me aconteceu. Num museu de pequenos objetos a elegeria para marcar um momento tão decisivo.
No mais, quem mais além do Morrissey para ter "the guts" e a permissão de escrever:


"Oh, fifteen minutes with you
I wouldn't say no
All people see no worth in you, but I do".

Na íntegra (com direito a tradução, hehehe): aqui.

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segunda-feira, 20 de agosto de 2007

vida de caçar borboletas.

acho que cansei de caçar borboletas.

quero querer coisas novas, sair por aí andando como quem não procura, mas lá no fundo sabe que quando menos se espera vai topar e achar tanta coisa. e que coisas procuro? eu quero ser feliz, porra. quero parar de desejar o que não consigo e querer tanta tanta coisa que me deixa mais infeliz que feliz. e vc pode até me dizer: "mas, phill, isso também é caçar borboletas"!

mas eu quero borboletas novas, quero borboletas que estejam ao meu alcance, borboletas onde eu possa colocar um alfinete e espetar na parede até vê-las morrerem, mas quero borboletas que eu possa sentir, ver, tocar. borboletas amarelas como as que sobrevoaram o corpo de rebeca e perseguiram seu marido até o dia da morte. mas quero borboletas que me façam FELIZ.

tudo bem que ter cansado das borboletas não significa que eu as tenha espantado ou consiga me livrar desse hábito. claro que ainda quero todas as borboletas que persigo com tanto afinco. pode ser que amanhã eu esteja correndo atrás dessas mesmas borboletas e volte a rir, a querê-las ou qualquer coisa assim. mas hoje, e escrevo no hoje, pq eu nunca vivo no futuro (mesmo que poucas vezes viva o presente) eu estou cansado.

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segunda-feira, 13 de agosto de 2007

"O despertar de uma paixão".



Eis que esse filme reacendeu uma velha questão que carrego comigo há algum tempo. Se realmente há amor, há conjunções adversativas? "eu te amo, mas..."
Ah, o filme é muito bom. Recomendado. A fotografia do filme segue o estilo do pôster e a competência do casal principal é grande, como sempre. Só acho que faltou um pouco de delicadeza no storytelling...

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segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Espaço-tempo.

Que a maior parte dos meus sentimentos sempre se perfizeram na distância. Ou do tempo que poderia ser tomado por distância - a vinte minutos de distância ou alguns dias de caminhada solene, por exemplo. Então, que se e quando se perfizerem no limite cerrado do alcance das minhas mãos e não mais dependentes apenas de minha imaginação, creio que será confuso. E já não entenderei como e o quê fazer com todos eles. Disso tenho medo.

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quinta-feira, 2 de agosto de 2007

"O Amor em Cinco Tempos".


O problema em escrever qualquer coisa sobre O amor em Cinco Tempos (François Ozoin, 2003) é o risco de acabar revelando o que não se deve. Todavia, aceito correr o risco, porque me apaixonei pelo filme.
O filme inicia com uma crueza brutal. Os closes incômodos nas personagens, a fotografia limpa e enxuta, as cenas quase frias, até o esverdeado que parece imperar (do escritório ao quarto do motel) colaboram para criar um clima desolador. Por vezes há a sensação de intromissão, de estar participando de algo muito doloroso e que portanto não se deveria tomar parte. Um trunfo do começo pelo fim do relacionamento de Gilles e Marion é justamente esse: distanciamento. Nesse momento (e mesmo ao longo do filme) é quase impossível tomar partido de alguém. Imagens são construídas e desconstruídas pelos acontecimentos cotidianos. Terminado o filme a já desgastada máxima parece fazer todo o sentido: ninguém tem culpa. Nas cenas iniciais do filme François Ozon parece querer dizer que não adianta tentar: é fadado ao fracasso.
Entretanto, ao que o filme segue, ainda que o estilo da direção não mude, os acontecimentos se metamorfoseiam de forma a limpar a aspereza do começo. Até restar um afago, um carinho, mas nem de longe uma condescendência. Ainda há dores no final, mas a inversão da câmera na última cena parece mostrar que há olhares e olhares, basta escolher um.
O começo (que é o fim) é cínico e cruel e o fim (que é o começo) é esperançoso. A inversão parece deixar bem clara a opinião de que sempre sempre há algo que resiste forte e imbátivel. Ainda que a abrasão do tempo pareça corroer a tudo (e isso fica escancarado quando conhecemos o primeiro relacionamento do Gilles), ao final há algo que resta. Resta algo indivisível. Não indivisível por pertencer ao dois, mas indivisível por estar dentro de cada um. O que há de forte e imbátivel, não é universal, mas depende de cada um. Cada um precisa achar sua motivação para continuar apostando no amor. Que o caminho posterior e escolhas (pequenas ou grandes) é que podem conduzir ao fracasso ou glória. Seja lá o que for fracasso ou glória.
P.S.: Depois de escrever fui procurar umas críticas e todos parecem unânimes em concordar na visão cética e cruel de Fraçois Ozon... Sei lá. Eu enxerguei esperança. Talvez, um lado Pollyana andando solto por aí.

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Eu.

Philipe

Campos - RJ

Ficção e não-ficção.


Leio:

Green Plastic
Omelete.
Cronicalidades.
Martini Seco.
Hel Looks.
Cafeína.
Cotidianidades.
Perto do Coração Selvagem.
Vida na Islândia.
Amor e Hemáceas.
Actions e Comics.

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|Algumas notas sobre música.|
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|Tempo.|
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