the optimistic

         (living in a glasshouse)

terça-feira, 31 de julho de 2007

Por outro Janeiro de 2005!


Nem sei muito em função do quê, outro dia acabei por desenterrar um disquinho que já figurou entre os mais escutados em determinado momento: "You Are The Quarry" do Morrissey.

Para além do fato de ele meter o pau em todo o mundo nesse disco (EUA - America is not the world, UK - Irish Blood, English Heart, igrejas - I have Forgiven Jesus e até as lésbicas - All The Lazy Dykes), sempre me impressionei com o fôlego dele no disco. Quase vinte anos depois do começo do The Smiths (finada banda da qual era vocalista), o faro de compositor & cantor, continua apuradíssimo. Não há filler, no disco: tudo tem uma razão para lá estar. E nem me parece uma questão de "canto do cisne" ou momento especial: o disco tem uma qualidade própria. I have forgiven Jesus é uma das melhores músicas da carreira dele, por exemplo.

Mas o mais importante são as memórias que o disco me traz. Escutava You Are The Quarry durante o verão de 2005 que me parece cada vez mais distante que alguns anos e verões cronologicamente mais distantes. Num janeiro atipicamente frio, porém tipicamente úmido - nunca vi tanta chuva acompanhado de frio num verão só - acabei por me isolar na casa de praia da minha família. Apenas eu e mais uns três parentes. Ainda assim, estava há milhas e milhas de qualquer outra pessoa.
O disco acaba tendo um gosto melancólico de trazer as lembranças daquele mês frio. Morrissey, Charles Dickens e Kazuo Koike eram minhas únicas companhias. Lembro-me de longas caminhadas no fim da tarde, sujando os pés de areia e longas conversas de telefone para matar a saudade residual. O piano de Christopher O'Reilly também era trilha sonora. Nunca li tantos livros em um mês só (acho que uns 10 ou 11) e nunca gostei tanto da minha própria companhia.

A lembrança mais forte que tenho é a de paz. Acho que poucas vezes me senti tão a vontade comigo, meus sentimentos, minhas vontades e planos. Ainda mais se comparado com a tempestade de sensações que me acompanharam durante o verão do ano anterior: incerteza de um amor distante, uma rebeldia frente as imposições do meu mundo e uma vontade de transcender toda e qualquer amarra a que me colocavam. O verão de 2005 não. Sempre me trará essa sensação de calma.

Acho que ando precisando de outro janeiro de 2005.

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"As Invasões Bárbaras"

Como disse no post anterior, depois de ver o "Declínio do Império Americano", assisti "As Invasões Barbáras". Esse conseguiu me pegar mais de jeito. Sim, verti muitas lágrimas. Sem muitos comentários: belíssimo. O filme acabou por ser meio condescendente comigo. Nunca senti muita tranquilidade em imgainar o fim. Rémy diz no film: "eu adoro a vida e não consigo me imaginar não aqui". Nunca tive mt simpatia por aqueles que dizem que estão "em paz" com a morte. Não estou e nem sei se algum dia vou estar. Ainda que egoísta, foi reconfortante ver o medo nos olhos dele. Ah, e por causa dele, desde domingo Françoise Hardy tem dominado meus fones de ouvido amarelos...

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The Optimistic - 17:55:00 0 comments


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domingo, 29 de julho de 2007

O Declínio do Império Americano.

Queria fazer alguns comentários sobre "O Declínio do Império Americano" (Canadá, 1987), mas estou sem muita paciência. Ademais, acabei falando bastante do que queria num e-mail que enviei para um amigo... Segue o trecho:

Assisti ao primeiro dos filmes canadenses. Muito bom. Lembrou-me muito da nossa dupla querida "Antes do Amanhecer/Pôr-do-sol", afinal nada mais que uma grande conversa e uma partilha de idéias... Mas senti falta de algo... Diferente dos dois anteriores, não me senti impelido a ali estar e querer fazer parte daquela conversa. Coisas da idade? Acho que sim. Vá lá, idenfitifiquei-me muito mais com o papo pós-adolescente (afinal, cá estou eu perdido nesse limbo pós-idades-teen) de "Antes do Amanhecer". Mundo cor-de-rosa de ilusões? Talvez. Eu ainda me iludo - e que triste seria se apenas acreditasse no certeiro. Pelo menos agora tenho a habilidade de saber que estou me iludindo e escolher quando embarcar ou não. Quanto ao "Antes do pôr-do-sol", vi-me imbuído a olhar com curiosidade: é o futuro que assoma a minha porta: o final dos vinte e poucos e o começo dos trintas e adentrar - quem sabe vitorioso!? assim espero! - a casa da vida realmente adulta. Era o questionamento do "como vai ser daqui a pouco".
Agora, "O Declínio do Império Americano" trata de mais pra frente, uma maturidade na qual nem consigo me imaginar. Afinal, ainda não sou casado, tenho filhos ou sou um doutorado professor do departamento de Geografia de uma gande universidade (haha, essa ambição acho que já perdi há tempos). De toda maneira, acredito que foi no "quê" de universal que acabei tendo certo apego ao filme, no que o filme eleva a vida cotidiana aos grandes (des)caminhos da humanidade. No que demonstraram o paralelismo entre o mundo caindo ou construindo em/de pedaços e a vida cotidiana dos protagonistas. Bacana e sincero - (ainda que e talvez por estar) sem lentes cor-de-rosa.
Aliás, o próprio título se baseia nessa premissa. O declínio do Império Americano em termos políticos, culturais e etc, acabaria repercutindo nas vidas cotidianas e relações intra-pessoais - tudo entrando em crise. O fim do sonho de uma sociedade alternativa pela qual lutar (baseada nos ideais leninistas-marxistas), também representaria o fim da busca por uma felicidade coletiva, a felicidade seria então uma busca individual.
Daqui a pouco vou asssitir à continuação (As Invasões Bárbaras (Canadá, 2003))... Venho comentar.

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The Optimistic - 03:57:00 1 comments


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sábado, 28 de julho de 2007

Parafusos.


Eis que desapertado todo e qualquer parafuso carece de sentido.

- Eu gosto de parafusos. E você?*

Sim. Eu gosto de parafusos. Todavia, cobre-me o medo quando eles se tornam tudo o que resta ou tudo o que possuo. Assim como não gosto de qualquer paleativo para a constatação fatal e (quem sabe) irrecuperável do vazio assomando sombrio à porta. Que inspirações e banalidades poderiam ser recuperadas rapidamente? Os parafusos já foram afrouxados há algum tempo - e em certos casos pode dizer que nunca fizeram parte - e ainda assim procura-se algum sentido para eles. São figuras estranhas que continuam a assombrar-me por aí. Um toque frio para espantar o calor enjoativo das manhãs de domingo ou segunda-feira. Um roçar de dedos áspero por entre as diversas voltas e revoltas de um estômago ou do corpo de um parafuso.

Podem até me dizer que são eles a conferir a precisão e garantir o funcionamento de uma máquina, uma engrenagem ou mesmo da vida cotidiana. Que seria feito da grande máquina do mundo se não fossem os parafusos? Mentira. Há muito que tenho vários em minhas mãos e sempre me retorna aquela pergunta: o que fazer?! Se toda máquina, engrenagem e/ou equipamento são o grande motor, o principal, a força motriz, a essência em suma, tenho ciência plena de que se perfazem mais do que necessários, vitais os parafusos. Entretanto, não consigo deixar de me perguntar: o que fazer quando tudo que me resta são meia dúzia deles espetando entre as curvas e recônditos de minha mão? Importantíssimos, sem dúvidas. Mas, eis que carecem de algum sentido maior... Aí, então, amplio minha existência a: busca da máquina perfeita. E não venham me acusar de querer tudo.

* Não lembro ao certo, mas é algo assim que pergunta Macabéa em "A Hora da Estrela" de Clarice Lispector.

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sexta-feira, 27 de julho de 2007

Ainda o beija-flor.

Hoje meu amigo beija-flor resolveu me visitar de novo na academia. Continuava a sobrevoar a mesma árvore (aparentemente) estéril. Mas também voava perto de uma outra, onde consegui ver uma pequena flor. Será que ele consegue algo!?

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The Optimistic - 18:35:00 0 comments


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quarta-feira, 25 de julho de 2007

floating fast like a hummingbird

hoje eu vi um beija-flor no jardim dos fundos da academia.

esverdeado, possuía o peito de um verde brilhante e penas que mais me lembravam escamas. sobrevoava ao redor de uma árvore de mamão envelhecida. suas folhas amareladas e seu tronco retorcido já não exibiam viço. mas o beija-flor voava por entre as folhas. vez por outra prolongava sua língua em direção ao nada e recolhia sem escolha. não sei o que fazia por ali. flor alguma vi e tampouco a árvore de mamão parecia ter algum atrativo. procurava no lugar errado e ainda assim insistia.

fiquei cantarolando hummingbird do wilco. e a parte em que diz: "lembre-se de lembrar de mim/ paralisado no passado/ flutuando rápido, como um beija-flor", me lembrou do beija-flor em questão. ainda que tenha esse costume por vezes, fiquei pensando no quão estranho é flutuar em torno de coisas impossíveis.

costumo dizer que não gosto de dar murro em ponta de faca. e na maior parte das vezes, não o faço. isso é compreensível. entretanto, por quê continuo a fazer em relação a tantas coisas? talvez, esperança. quem sabe da ávore retorcida não brote uma flor doce? e não é uma questão de ingenuidade. É uma questão da imprevisibilidade da vida. Tão desgovernada que ela só.

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sábado, 21 de julho de 2007

Where's your head at?!

Perdido no meio das minhas mp3:

(Basment Jaxx - The Singles)

Sabe a sensação de achar uma nota de R$50 que vc nem lembrava que tinha perdido num casaco?

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The Optimistic - 12:33:00 0 comments


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"All is wrapped in sugarcoat".

Quanto vale um sofrimento?

Outro dia estava conversando com um amigo sobre a urgência do mundo. A necessidade das coisas estarem sempre prontas, ao alcance. Tudo deve vir rápido e de preferência embalado em algodão cor-de-rosa. Ausenta-se elaborar, enxergar além e viver no intenso mesmo quando o intenso intensifica sofrimento.

Nas palavras dele: " Tudo são paleativos. Tudo tem q estar sempre pronto, pra ontem. As pessoas não querem mais viver nada, elaborar. Emagrecer tem q ser na lipo. Insonia, mesmo que por uma única noite, por um problema normal, lexotan. A vida tá desse jeito. Qualquer coisa virou depressão, qualquer tristeza merece antridepressivo".

Tempos modernos? Necessidade de velocidade em tudo? Até mesmo no íntimo? Não sei. Também fiquei a me perguntar: se o mundo hoje permite a minoração tão rápida e fácil de qualquer tipo de sofrimento (por menor que seja), por que insistir em viver as coisas assim?

Por coicidência, pouco tempo depois me pus a ver "Perdas e Danos" (Louis Malle, 1992). E uma frase da Julliette Binoche me chamou a atenção: "lembre-se: pessoas sofridas são perigosas. Elas sabem que podem sobreviver". Talvez, seja isso. O sofrimento confere resitência. Passar por problemas e encará-los de frente, sem paleativos, prepara para os momentos em que não há paleativos. Porque sempre chega uma hora em que a única coisa que você pode contar é si mesmo. E sua resitência.

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The Optimistic - 12:24:00 1 comments


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quinta-feira, 19 de julho de 2007

"Comes all the way back around".

E daí que quando vc começa a refletir na vida ao ouvir Justin Timberlake (What goes around.../Comes around...) a coisa, na verdade, está começando a ficar ridícula.

The Optimistic - 20:11:00 1 comments


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quarta-feira, 11 de julho de 2007

"O dia em que seremos mais felizes".

Costumo dizer que se pode estar sozinhou ou ter como única e exclusiva companhia a si mesmo. Nos últimos meses tenho estado bastante ausente - até de mim mesmo. Não sei se corrobora como fato inequívoco que tenha estado tão ocupado com aspectos mecânicos e necessários da sobrevivência que tenha abandonado à pessoa que jamais poderia ser abandonada: eu mesmo. As outras pessoas a maioria circunscreve na categoria das necessidades prementes da sobrevivência: a convivência social e algumas poucas no caráter necessário da alma.

Fico a pensar quando a felicidade deixará de ter um condicional (quando) para ser puramente ela (a felicidade). Que sempre há aquela idéia: "serei feliz quando". Ocorre de "quandos" irem e virem e ela continuar guardada, acumulada, esperando o "quando" exato. Não seja eu tomado erroneamente: não sou infeliz. Acredito que assim como ódio não é antônimo de amor, infelicidade não rivaliza diametralmente oposta à felicidade. Até mesmo porque - sem méritos de discussão que isso é extremamente chato - "what is happiness to you, David"?

Um nó de confusão certamente se deita por aí: percebam de solidão pulei exatamente para o tema felicidade. Como se ambas andasse extremamente unidas e indissociáveis. Fazer o quê? Ambas possuem todos os nós de ligação - na minha cabeça. Aliás, seria esse o problema? Como alcançar, desejar ou sofrer pelo desconhecido? Gostaria de poder dizer que por vezes salto com o peito aberto, aguardando os resultados e arriscando por tudo o mais, mas me entenda: nem o salto me é permitido.

Sinto-me encoleirado.

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The Optimistic - 07:31:00 1 comments


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quinta-feira, 5 de julho de 2007

Missão Cumprida.

Mesmo tendo sempre sido aluno dedicado, acho que jamais me dediquei tanto a faculdade quanto esse semestre. Tenho passado dias inteiros em salas do Centro de Ciências e Tecnologia e quando fico em casa minhas horas são gastas em planilhas, livros e apostilas.

Claro que ter terminado uma das faculdades ajuda. E confesso que às vezes me sinto meio estranho: bate uma falta danada de estudar ciências humanas. Sempre me prometi que quando terminasse a primeira faculdade mesmo que não trabalhasse com ela, continuaria a estudar. Cadê tempo?! É muito estranho me dedicar full time aos números e ter o universo de letras reduzido a x, y e z - quando no muito umas letrinhas gregas para dar um "tchan" a mais, heheheh.

Precisei tomar um ou dois sustos para entrar nessa saga descontrolada em busca de redenção. Jà há frutos: há tempos ñao me dominava essa sensação de segurança, de crença no que estou aprendendo, de ter a certeza que não apenas passei, mas que algo ficou, algo restou. E mais: estou começando a me apaixonar pelo que faço. De verdade. Sempre gostei, mas agora está batendo mais forte.

Parece que essa história de ser Engenheiro finalmente está assentando por aqui. Na minha cabeça. Sempre gostei do curso e tudo o mais, mas estou começando a me encantar. Talvez, esteja acontecendo o que sempre me diziam quanto ao curso: tudo muda no ciclo profissional. Estudar Cálculo, n-físicas, químicas e etc sempre gostei; agora que estudo as específicas é mais difícil, a exigência é diferente (e nem falo em intensidade: é uma questão do modo como estudar, como aprender, etc).

Ta batendo uma sensação de missão cumprida. - Ainda que seja apenas o início.

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The Optimistic - 23:40:00 0 comments


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segunda-feira, 2 de julho de 2007

"Maybe in another life when we're both cats".

"I wanna live a real life. I don't wanna dream any longer". (Cameron Crowe, Vanilla Sky)

Tinha me esquecido dessa frase até que ela me veio vadia ainda ontem. Dessa vez doeu. Em mim.

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The Optimistic - 00:23:00 2 comments


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Eu.

Philipe

Campos - RJ

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