the optimistic

         (living in a glasshouse)

terça-feira, 26 de março de 2013

Algumas notas sobre música.

Já há algumas semanas venho querendo escrever um bocado sobre coisas que tenho ouvido. Sem tempo, acabei atrasando e agora perdi as notas mentais para boa parte do que queria escrever. Resolvo, então, escrever pequenas notas. Só pra ficar o registro. Coisas que tenho ouvido (bastante).

Mika - The Origin of Love (2012)




Desde Grace Kelly que sou fã do Mika. Aquele piano, a gritaria, a voz fina e o escracho da música de estreia do libanês-britânico me agradaram de cara. Demorei muito tempo a conseguir o primeiro álbum (Life in Cartoon Motion) e, quando consegui, o disco ficou rodando no meu player durante muito tempo. Assim, não foi sem um pouco de decepção que recebi o segundo disco (The Boy Who Knew Too Much). Entenda, quando o material é bom, não ligo muito para mais do mesmo. Poderia ser esse o caso na relação LiCM e TBWNTM. Mas não foi. Achei o segundo disco muito "variações sobre o mesmo tema" e a cara de pau parecia ser tão grande, que tinha a impressão que até a ordem das músicas nos dois discos era igual. Claro que tinha Blame it On The Girls e uma ou outra coisa legal. Com o tempo até me acostumei mais ao disco, mas, ainda assim, até hoje acho muito fraco.

Assim, não foi com o maior dos entusiasmos que resolvi escutar The Origin of Love. A primeira faixa causou estranheza. Autotune? Enfim, a segunda (Lola) me abriu um sorriso e lá por Underwater o disco já me havia conquistado. A faixa-títutlo-inicial é uma das músicas que mais escuto já há alguns meses. A impressão que tenho é de que The Origin of Love representa uma espiral na carreira do cantor. Um retorno que, ao mesmo tempo, é um avanço. E mesmo o ponto baixo de TBWNTM pode ser encarado como um período necessário de amadurecimento antes de produzir esse que, na minha opinião, é o melhor disco do Mika até o momento. Alternando momentos mais histéricos (como a deliciosa Emily - não deixe de conferir a versão francesa Elle me Dit!) com introspecções gostosas como Underwater, o disco segue com uma coesão e uniformidade digna do primeiro álbum e até o supera. Uma dica: procure pela versão francesa do disco. Além das 13 faixas do original regular, há um EP com algumas canções em francês pelo cantor. Só acrescenta. Por fim, destaque para o clipe gracinha-choroso de The Origin of Love, com locações interessantes em Santiago e referências marotas a Laranja Mecânica e outros ícones da cultura pop.


Kavinsky - Outrun (2013)





Um dos melhores filmes que assisti nos últimos tempos é Drive (Refn, 2011). Sem entrar em muitos detalhes da qualidade do filme, acho que a melhor definição seria um mash-up entre Sofia Coppola e Tarantino. (Não, você não leu errado. E se não consegue imaginar isso, melhor ver o filme). Boa parte do seu sucesso em criar ambientes, climas e atmosferas vem de sua trilha sonora. Amplamente baseada em sintetizadores e elementos eletrônicos, a trilha acrescenta um peso a estética retrô do filme. Dentre as músicas se destaca Nightcall do francês Kavinsky (com uma integradíssima participação da brasileira Lovefoxxx). Encantado com o o ritmo narcótico, a batida marcante e os vocais arrastados tratei de procurar mais do tal de Kavinsky. Descobri que o primeiro album, Outrun (2013) havia saído no início desse ano - com a presença de Nightcall.

Outrun é um disco estranho. E, entenda, esse é um grande elogio. O tempo todo a impressão é de se estar ouvindo uma grande trilha sonora para um filme de carros. Um filme dos anos 1970/80 sobre carros. Tal impressão não é fortuita ou gratuita, cada elemento eletrônico, sintetizador e vocais parecem ser pensados com o propósito de emular corridas de carros e situações correlatas. Assistindo o clipe do primeiro single, Protovision, (ver acima) tal ideia fica ainda mais evidente. O album é construído em cima de climas e ambientes melódicos que alternam entre o frenesi de uma corrida de carro, a tensão de uma perseguição a um passeio bad-ass em um velho cadilac. Não é para todos os gostos, mas definitivamente é muito divertido. Destaque para a própria Nightcall e Testarossa Autodrive. Um álbum de música eletrônica para quem não acha que música eletrônica é apenas "feita pra dançar".

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quinta-feira, 7 de março de 2013

Go, Spidey!

Hi-5!


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quarta-feira, 6 de março de 2013

A quem interessa o meu umbigo?

Comumente, coloco textos aqui com a tag "umbigo". São textos de reflexões e sem pretensão alguma de universalidade. O blog é pessoal e qualquer pessoa está convidada a entrar. Assim como a sair pelo x a direita ou a esquerda (pela diversidade, Mac ou PC usuários!). Daí o entendimento que meus textos podem ser criticados, mas não a sua existência. Reafirmando o óbvio: ninguém é obrigado a ler.

Penso a mesma coisa sobre o Facebook. E, lá, as possibilidades são maiores. Você pode ocultar o feed, deletar a pessoa, simplesmente não ler ou sair da rede - o que fiz. O que não agüento é quem fica lá dentro reclamando! É uma rede social, não serviço de júri.

Daí topei com esse texto:

http://moglobo.globo.com/integra.asp?txtUrl=/cultura/felicidade-facebook-7603347

Em uma palavra: cagação de regra para o mundo. Dentre outras coisas, foi por textos como esse que saí do FB. (Não pelo conteúdo que, como já disse, abomino, mas pela forma de querer fiscalizar vida alheia, pela presunção e umbiguismo).

O pior que seve ter mil e um imbecis que já publicaram nos timeline se achando supercool por fazer a crítica de dentro ou com a demagogia do "vale o debate".

Falamos tanto em liberdade e ainda estamos presos a era do cuidar da vida do outro. Inclusive eu, criticando o texto do douto rapaz.

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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Tempo.


Eu sou professor. Por mais que haja toda uma literatura pedagógica advogando em favor da construção do conhecimento e outras coisas, creio que um dos pontos centrais das minhas atividades se trata de desconstruir ideias. Ideias baseadas no senso comum, ideias equivocadas, ideias distorcidas e ideias limitadas… Desconstruir para depois reconstruí-las. Uma técnica que gosto de usar bastante para isso é jogar um determinado termo no google e ver as imagens que aparecem. Sempre surgem figuras bastantes indicativas das acepções mais correntes para uma série de termos e expressões.

Hoje estive pensando sobre o tempo. E mesmo que não tivesse vontade de desconstruí-lo ou qualquer necessidade de explicá-lo, joguei "tempo" no Google. Esperava ampulhetas. E elas vieram. Esperava alguns relógios. Vieram muitos. Fiquei pensando, como a gente ainda se prende a uma definição tão mecânica, matemática, quase físico-concreta de tempo. Um tempo - seja "muito tempo", ou "pouco tempo" - sempre parece ser um somatório de partes menores, cada vez mais subdivisíveis. Vivemos o tempo vazio, sem qualidades: "feliz" são as mesmas sessenta repetições de um minuto em uma hora "apreensiva"; sem subjetividades: uma hora no meu relógio é uma hora no seu relógio, na sua vida; sem sazonalidades: uma hora hoje ou amanhã são a mesma coisa; sem espacialidade: uma hora aqui ou acolá são os mesmos 3600 segundos.

Mas existe uma construção social do tempo. De como sentimos, experimentamos, desejamos, amamos ou sofremos cada um desses segundos da matemática apressada dos ângulos do relógio. Alguns chamam isso de temporalidades, tão múltiplas e imprevisíveis quanto as possibilidades de existência de indivíduos. E constantemente vivemos o conflito de sermos regulados, vigiados, valorizados pelo respeito a esse tempo matemático. Sofrendo, sentindo, amando, pulsando na temporalidade que é tão peculiar a cada um de nós. Na temporalidade que construímos não sozinhos, mas nos conflitos e encontros que realizamos ao longo dos nossos dias. Vivemos num eterno dilema de ceder ao tempo ou a temporalidade. De alongar minutos do relógio ou silenciar satisfatoriamente nos braços da temporalidade.

Na busca por imagens sobre "tempo" que fiz, uma figura curiosa apareceu. Essa que ilustra o post. A princípio achei estranho e que fosse uma daquelas falhas do mecanismo da empresa de Moutain View. Mas depois vi todo o sentido do mundo. Um sentido de tempo tão único, especial e subjetivo que somente eu posso entender. E somente você pode construir o seu.


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domingo, 20 de janeiro de 2013

Se arrependimento matasse...




Viajar é uma delícia. 2012 foi um ano em que pude, finalmente (por questões de ordem financiera e logísica), me dedicar mais à atividade. Conheci João Pessoa, Belo Horizonte, o sul fluminense e realizei um dos meus sonhos de viagem: Nova York. Já havia andado um pouquinho pelo Brasil anteriormente (só nunca estive na Região Norte) e não era exatamente um novato em viagens. Mas, ainda assim, aprendi bastante nas andanças e, principalmente, no retorno. Afinal, é quando a gente volta que vêm aquelas ideias: "por que não fiz isso ou aquilo"?

Apesar de ter voltado com a sensação de missão cumprida, hoje de manhã, revendo algumas fotos da viagem para Nova York me vieram alguns arrependimentos. Listo abaixo divididos em duas categorias: 1) aquelas que não fiz e não sei o porquê e 2) aquelas que por alguma razão seriam impossíveis mesmo de fazer.

1. Arrependimento brutal

tirando fotos no top of the rock - em direção ao Brooklyn/
Lower East Side.
a) Tirar mais fotos: voltei com quase duas mil fotos numa viagem de sete dias. Mas todas as vezes que reolho, penso: cadê foto disso ou daquilo? O que é mais incrível quando se trata de NY: andando pelas ruas, de qualquer bairro, é possível tropeçar em pessoas com câmeras (algumas ridiculamente grandes), tablets (sim, principalmente os chineses, empunham iPads e similares como se fosse a coisa mais normal do mundo) e celulares apontados para todos os lados e tirando foto de tudo. Absurdamente tudo (até gente tirando foto de carro de polícia vi). Se pudesse listar minhas maiores mancadas nesse aspecto, seriam: mais fotos no Brooklyn Bridge Park (o skyline de lá era fabuloso e o dia nublado daria algumas fotos absolutamente espetaculares, mesclando céu, prédios e água da baía); mais fotos de Williamsburg (é uma vizinhança encantadora e diferente, mas fiquei um pouco acanhado pela pouca "turisticidade" do lugar. Empunhar uma câmera lá, num sábado às 11AM (o que equivale a 6:30AM de um domingo no centro do Rio de Janeiro) era escrever na testa "stranger in a strange land"); mais fotos em alguns pontos onde foi gravada Sex and the City (não me perdoo por não ter tirado fotos em frente a Bergdorf Goodman da 5ª Avenida - não em frente a loja, mas na calçada em que a abertura da série é gravada, ter mais fotos, bem ao lado da Bergdorf Goodman, em frente ao cinema PARIS (só os fortes entendenderão) e outras fotos na Gansevoort St. no MePA), além de vários outros lugares.

b) Comprar mais comics: os EUA são a terra natal e grande meca dos quadrinhos. Pude visitar a Midtown Comics . Milhares de revistas em quadrinhos, bonequinhos, chaveiros, camisas, bonés e toda quinquilharia que faz nossa alegria. Eu entrei na loja e não queria mais sair. MESMO. Gastei U$100 em encadernados e algumas mensais. Alguns dos encadernados, mesmo com a taxa 1:2 do dólar eram ridiculamente mais baratos do que no Brasil. Não sei se bateu alguma espécie de peso na consciência, mas por que? É um hábito saudável! (Ok, nem tanto).

red velvet em uma cafeteria "não-famosa" - em algum lugar
de chelsea...
c) Ter explorado mais restaurantes: uma coisa que prometi a mim mesmo quando saí do Brasil foi: nada de MacDonald's e similares. Ou qualquer outra grande rede. Queria os restaurantes pequenos ou grandes, porém únicos e anônimos (nem tão anônimos já que todos eram previamente checados no zagat.com. E, de fato, segui a risca minhas premissas. O problema foi não ter variado muito. Exemplo, descobri uma deli simpática, limpinha, barata e gostosa perto do hotel. Maravilha. Mas deveria ter procurado outras e não ter comido cinco dos sete cafés-da-manhã lá. No restaurante e no jantar variei um pouco mais, mas ainda assim, muito menos do que deveria ter variado.


2. Impossibilidades

arredores de Williamsburg.
a) Visitar Williamsburg: pra quem nunca ouviu falar, Williamsburg é um dos bairros do momento em NY. Onde todos os hipsters, artistas independentes e congêneres se reúnem (seja pra morar ou pra vender). Eu fui à Williamsburg. Num sábado de manhã (por volta das 10:30AM), pré-Sandy (minha previsão era deixar NY no domingo a noite - e o furacão deveria chegar à cidade de segunda para terça: salvo pelos mistérios da climatologia) e chuvoso, o bairro é pouco movimentado e boa parte dos estabelecimentos estão fechados. Além disso, as famosas feiras só funcionam no domingo. Realmente, não havia como visitar o bairro na sua glória semanal. Fica para a próxima. Por outro lado, fiz algo que nem de longe pensava em fazer: tomei uma balsa para o sul do Brooklyn (para o Brooklyn Bridge Park) e atravessei de volta para Manhattan em outra balsa. Experiência curta, porém divertidíssima.

b) Conhecer o Battery Park: numa cidade como NY, mesmo uma viagem de sete dias é pouco, muito pouco tempo para se fazer tudo o que se tem vontade - principalmente se você tem vontade de fazer tudo! Assim, o estabelecimento de prioridades é uma prioridade. E, infelizmente, o Battery Park ficou de fora. Na verdade, antes de ir, não pesquisei muito sobre o parque e, mais importante, não busquei muitas fotos. Depois que voltei comecei a ver algumas fotos na internet e bateu uma invejinha de quem vai. Mas, fazer o que?


adivinha que rua é essa?
c) Perambular mais por alguns bairros: algo que fiz, pretendo fazer nas minhas próximas viagens pra qualquer grande cidade e recomendo fortemente é estabelecer (com auxílio do Google Maps) alguns roteirinhos a pé por bairros não(ou não tão)-turísticos ou áreas não-tão-turísticas. Simplesmente observar os citadinos em seus cotidianos e atividades banais é uma das coisas que mais me atraem em qualquer viagem. (Uma imagem que não sai da minha cabeça é a de uma mulher de quatro na calçada de uma rua do Village trabalhando em uma mini-horta no diminuto espaço de terra ao redor de uma árvore. Opa! Cadê foto??). Gostaria de ter feito mais roteiros assim. (Não conheci praticamente nada do Upper East/West Side - exceto pelas imediações de museus). Mas, novamente, a questão das prioridades.

phillcss - 15:53:00 0 comments


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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

O Diário do Clima.




A primeira vez que tive contato com o trabalho da Sônia Bridi na série "Terra, que tempo é esse?" foi através de um dos melhores episódios da série: Veneza e Vanuatu (vídeo abaixo). Costurando muito habilmente visitas aos dois países de realidade tão distinta, porém tão igualmente próximos nos perigos oferecidos por um mundo em aquecimento (a subida de águas muito acima do que seria tolerável para a boa convivência), com entrevistas com especialistas e com engenheiros e cidadãos, Sônia e seu marido Paulo Zero (cinegrafista e diretor de fotografia da série) puderam expor com palavras e imagens uma das realidades mais duras do fenômeno do aquecimento global: a ampliação do fosso entre os que tudo têm e os que terão ainda menos.



Dessa forma, me interessei pela série e busquei assistir aos demais episódios. Viajando por cerca de 15 países, visitando locais e pessoas tão extremas quanto romeiros da Cordilheira dos Andes, fazendeiros no oeste da Austrália e um povo que mede sua riqueza pela felicidade no Butão, os dois conseguiram estabelecer um painel do que acontece, o que podemos esperar e o que pensam especialistas sobre o aquecimento global. A empreitada acabou virando um livro, Diário do Clima (Editora Globo, 2012) em duas versões: uma com o DVD com todos os episódios da série e uma versão simples, sem o DVD. Feliz proprietário da versão com o DVD, terminei minha leitura semana passada. Com um sorriso no rosto e um aperto no peito.

Combinando ciência e humanidade (será que ainda é possível dicotomizar essas duas coisas?), investigação científica e narrativa de viagem, Sônia te pega pela mão e com muito cuidado vai te levando por todos os lugares por onde a série passou. Das dificuldades às glórias, do planejado ao acaso, um panorama bastante completo é desenhado nas quase 260 páginas do livro. Enriquecido por fotos, a narrativa abre um sorriso ao escancarar a beleza de um mundo que, representado pelas palavras de Sônia, contradiz enormemente a ideologia dos que querem professar da sua diminuição, homogeneização ou banalização. Existe uma monotonia das paisagens contemporâneas? Não no "Diário do Clima".

Por outro lado, fica um pesar tão contraditória com a excitação e alegria que o livro suscita. Muito pouco ou quase nada vêm sendo feito para, ao menos, minorar a situação. Na verdade, como a própria conclui em mais de uma passagem no livro, quem mais tem dinheiro, mais poluiu e menos sentirá os efeitos. E aqueles (longe de qualquer maniqueísmo ou visão romântica) que sempre sofreram as consequências de um desenvolvimento desigual, afundarão ainda mais rapidamente na pobreza e na falta de oportunidades (alguns, literalmente, como os habitantes da bela e paupérrima Vanuatu).

Ao final, resta uma pergunta: será que valeu a pena?  "120 horas de voo em 48 trechos percorridos e 110 horas de espera em aeroportos (…), 27 horas de barco, 106 de carro, cinco de trem e seis montados em burros. A pé, foram mais de cem quilômetros". Num mundo em que o maior poluidor é também a mão mais generosa em buscar soluções, em que poluidores erguem fortes de concreto no oceano para barrar a água e populações sem expressão alguma no ranking da sujeira carregam pedregulhos com os braços também para aplacar a fúria do mar que se joga indiferente sobre ricos e pobres. Um mundo em que a Natureza dominada se revela cada vez mais arredia: escalar montanhas, realizar peregrinações, domar o deserto com plantações cada vez mais tudo que se fala é muito pouco para demonstrar o que ocorre. Toda imagem é pequena para demonstrar o que ocorre. Talvez, na combinação entre imagem e palavra a sensibilização se torne maior. A isso se presta o livro. E consegue.

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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Não pense que te quero mal, apenas não te quero mais.

Definitivamente, nada aqui (ou quase nada: sabonete líquido, NÃO!) fará muita falta.

Mas que é um registro interessante da transitoriedade das coisas e da validade da ideia de que "tudo que é sólido se desmancha no ar), isso é.

phillcss - 23:57:00 0 comments


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O criador e a criatura (não necessariamente nessa ordem).



Já há tempos tenho a impressão de que, ao contrário do que pensa a esquerda brasileira, a Veja distorce, manipula fatos e faz joguinhos que de tão chocantes são banais não exatamente para controlar, ideologizar ou arrebanhar seguidores, mas por um movimento inverso: em tempos de crise de qualquer mídia de informação paga (ok, posso estar exagerando no qualquer), melhor não desagradar quem ainda paga alguma coisa. Dessa forma, o que a Veja faz é dizer, opinar e informar da forma que (ela pensa que) seu leitor quer ler. Numa relação criador/criatura complexa, é até difícil dizer quem veio primeiro: a cabeça do  "cidadão de bem" leitor da Veja ou a cabeça da Revista.

Intrigado com a cobertura sensacionalista que boa parte da mídia vem dando ao suposto (desconfio que desejado ) próximo apagão (que se depender da Veja, Globo & Cia. tem até data e hora para acontecer), entrei no site da Veja e descobri a cobertura da revista sobre o  Big Brother Brasil 13. É uma delícia! A forma como as matérias são escritas, num tom de superioridade intelectual e desprezo pelo populacho é das coisas (involuntariamente) mais hilárias ever! O ápice é essa reportagem. Um trecho do final é um combo do pensamento Veja que reflete bem a mentalidade dos seus leitores fiéis.

Vamos por partes:

"Ainda em 2012, sob a batuta de Boninho, a Globo levou ao ar o divertido, sofisticado e aplaudido The Voice Brasil,

    1) pegar coisas com cara de refinadas, mas que são super senso-comum e chamar de refinado. De boa, mas ainda não consigo ver tanta diferença assim entre o que estava ali e o que Raul Gil e companhia vêm fazendo há anos.

um reality musical que tem, a cada episódio, meia dúzia de apresentações espetaculares, no melhor estilo dos programas americanos e europeus do gênero.

    2) se tem semelhança ou origem americana/europeia é sinônimo de (boa) qualidade.

O The Voice foi mais uma prova de que, apesar da apelação e da baixaria do BBB, a Globo e Boninho continuam sabendo fazer entretenimento na TV como ninguém. 

    3) de marca de papel higiênico a música, se tem apelo com quem ganha menos de 2 salários mínimos, é apelação e baixaria.

 E que o show de horrores do Big Brother só existe graças a um parceiro importantíssimo do grande irmão: um público viciado no besteirol.

    4) fingir que o mundo será um lugar melhor se todo o mundo for intelectualizado.

Pra finalizar, apesar de a cada duas linhas, de cada matéria, ressaltar a inutilidade, a nulidade de importância do programa, a revista deve ter, em menos de uma semana de programa, mais de 50 matérias sobre o mesmo. Mais uma semelhança criador/criatura: ninguém gosta, ninguém assiste, mas todo o mundo está informadíssimo sobre o que acontece ali dentro.

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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Before Midnight (2013).



Como todo bom marido traído, não fazia a menor ideia de que isso estava acontecendo até saber por acaso, procurando alguma informação randômica na página da Julie Delpy na Wikipedia.

Foi só ansiedade. Até ver a foto. Aí que as lágrimas vieram. Agora que a espera é cruel!

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Narciso (?).



Excluí meu facebook. Não que isso seja algo trágico ou digno de alguma nota mais profunda. E, aliás, já faz muito tempo - muito para os padrões da velocidade do próprio facebook: uns três ou quatro meses.

Então, por que do comentário?

Ainda ontem estava a comentar sobre algo. Lembrava de uma entrevista da Fernanda Torres (cujo link desapareceu do YouTube) na qual, após a exibição de um trecho de entrevista de uns dez anos antes, o entrevistador perguntava se ela ainda pensava da mesma forma. Visivelmente constrangida, Fernanda respondeu algo como: "Cara, esquece que já falei isso!". E completava dizendo que quando somos jovens adoramos "cagar regra" (palavras dela) para a vida dos outros, para o mundo.

Quando deletei meu FB essa foi uma das razões centrais. Ficar "cagando regra" para a vida dos outros é muito bonitinho quando você tem 15, 16, vá lá, até uns 20 anos. Depois, é patético. E era precisamente isso que o FB estava se tornando para mim: um espaço para ou ver nego cagando regra indiscriminadamente - e vamos combinar que muitas regras desnecessárias e dignas de vergonha empática - ou para eu mesmo ficar cagando regra para os outros. Sempre fui fiel partidário da máxima de preferir aquiescer para não ter de entrar em discussão cujos resultados não resultassem em nenhum prejuízo objetivo para mim, mas nesse ímpeto ególatra, narcísico e que, lá no fundo, não deixa de ter um resquício de alguma mentalidade "meu pau intelectual é maior que o seu", me via entrando nas mais gigantescas discussões com Deus, os Santos e todos os Apóstolos. Resolvi me retirar. (As outras razões incluíam a perda de um enorme tempo produtivo online e exposição desnecessária de muitos aspectos de sua vida).

Daí que de uns tempos para cá algo vem me incomodando. Existe algo além de egolatria, narcisismo e confontração na exposição de ideias. Existe a organização de ideias. Olhando para trás, percebi que desde os 16 anos de alguma forma (na verdade, de várias formas) venho utilizando a escrita e a exposição como forma de entender melhor o que penso ou até mesmo de formular algum pensamento sobre determinado fato, obra ou sentimento. Foi então que percebi que não era exatamente narcisismo ou vontade de "cagar regra"que me movia, mas vontade de entender. De ME entender.

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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

La Science des Rêves

Taí um filme que há anos queria assistir. Michel Gondry, Gael García Bernal e Charlotte Gainsbourg... Consegui assistí-lo final de semana passado. Pensando que não podia dar errado.



Pior que acho que deu.

O filme segue os encontros e os obstáculos que se colocam na vida de Sthephane ao se mudar do México para a França a convite de sua mãe. Não que a mudança seja problema, mas sua condição de sonhador (no limite extremo e não me estendo aqui para não causar spoilers) coloca problemas na resolução dos impasses cotidianos.

A ideia básica é excelente. Até imagino um processo de criação semelhante ao que Woody Allen descreve como sendo no livro "Conversas com" lançado pela Cosac Naif do Erik Lax: partindo as vezes de um fiapo de ideia, desenvolve-se todo um filme. Acredito que tenha sido o que aconteceu com o Gondry. Uma ideia que partia da produção dos sonhos e de sua formação, ambiente onírico e um relacionamento complicado (aliás, parece que relacionamentos complicados são para ele o que as crises de identidade são para a Sophia Coppola, não?). E para expressar esses elementos uma linguagem bastante interessante para os sonhos (a direção de arte é maravilhosa).

Mas, talvez, aí esteja aquele que, para mim, é o maior problema do filme: apostar na linguagem. Depois de meia hora de filme, a impressão que fica é que tudo o que acontece é uma grande desculpa para as cenas que se passam dentro da cabeça do Sthephane, bem como para a ambientação no espaço onírico. Depois de um, dois, três sonhos fica cansativo sem ter uma história que sustente tudo isso. O que era pra ser original, fica enjoativo e você termina se perguntando: "a que será que se destina"? Uma pena, pois brincar com os sonhos, um relacionamento complicado e, principalmente, a direção de arte produzida seriam ótimos ingredientes - para uma história sólida e instigante.

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The Optimistic - 23:39:00 0 comments


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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Would?

Era o final dos anos noventa quando ouvi "would?" do Alice in Chains pela primeira vez. Na verdade, "ouvir" é modo de dizer. Meu primeiro contato com a música se deu através do clipe. O som, as imagens, a figura da banda, tudo me lembrou muito a época de origem da canção - o inicio dos anos noventa (1992 para ser mais exato).

Lembro que achei um pouco fantástico como som e imagem podiam se combinar de forma tão fantástica para produzir a atmosfera de uma época que pouco conheci - rodeava meus sete ou oito anos em 1992. Ou talvez, as sensações mais do que as memórias daquela época são vívidas, já que me vêm à cabeça tão fortemente.

Durante algum tempo a única forma de ouvir a música era através do vídeo e na tela do computador, afinal foi apenas em algum ponto entre 2002 e 2004, creio, que explodiu a facilidade de se conseguir mp3 e, no caso dos players, o meu primeiro veio apenas em 2004 (um Creative Nomad de 5Gb, sem tela colorida e reprodução de vídeos, porém avançadíssimo pra época e com funções que ate hoje sinto falta no iTunes) e a popularização por volta de 2006-07. Assim, a impossibilidade tecnológica contribuiu para sedimentar e ligar de forma cada vez mais forte imagem e som na tarefa de produzir um clima para mim.

Hoje em dia, já com iPod e capa de cd "impressa" no arquivo, há muito que não vejo o vídeo, porém sua tarefa de produzir uma direção, um entendimento sobre a música foram cumpridos. Para mim, a music sempre tem e, acho que, sempre terá um aspecto duro, áspero, árido. Uma falta de compreensão que transforma as expectativas em angustias e falta de perspectivas. Não sei porque, mas olhando os anos 1990 em seu inicio, no caso do Brasil, me parece que reinava um pouco essa tônica. Um tempo de muita esperança e expectativa (redemocratização, nova constituição e uma vontade enorme de esquecer os anos do regime de exceção e os perdidos anos 80), porém uma esperança meio desesperada. Uma sensação de "do jeito que está não dá mais", um acreditar meio que forçado pela falta de alternativas.

"Would?" me passa um pouco dessa sensação. Uma esperança porque a única saída é ter esperanças. Uma esperança verde, mas um verde folha-seca apagado, abafado meio esmaecido pela crença de que o mundo não é um lugar exatamente bonito.

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The Optimistic - 22:09:00 0 comments


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domingo, 7 de agosto de 2011

O dia em que o Professor X morreu

Se há um lugar em que o lugar comum abunda, é nas histórias em quadrinhos. Dos diversos, talvez, o mais recorrente é o da sequência morte-retorno de personagens. Tantos já morreram e depois foram recriados - seja por clones, rituais mágicos, mal entendidos e muitas outras coisas.

Eu gosto dos Ultimate X-Men. Explicar quem são tomaria muito tempo e muito esforço, então, vamos simplificar as coisas para mim e para você e vamos conferir aqui. Mas, basicamente, podemos dizer que se trata de uma releitura dos heróis criados no início da década de 1960 para os dias do início do Século XXI. De toda forma, apesar da novidade e, IMHO, grande qualidade, a série não está imune aos clichés de super-heróis. Além da morte, um outro, particular da grife X-Men e que sempre foi recorrente - dos desenhos animados às revistas em quadrinho, passando pelos filmes é o da morte-desaparecimento do Professor X, deixando, sempre, seus alunos perdidos e sem saber como agir.

Ontem eu pude ler a "versão ultimate" para a morte do Professor X.


A história foi publicada originalmente em 2007, mas só agora pude ler. A série já foi encerrada e ainda não sei se haverá retorno ou se alguém substituirá o Professor X. Ler a morte de Xavier foi ler algo que já li ou assisti várias vezes: morte nos quadrinhos. A todo o momento pessoas morrem, desaparecem ou são dadas como mortas. Mesmo tal situação no que diz respeito ao primeiro escalão não é incomum. Mas dessa vez havia algo de diferente. Não foi tão corriqueiro ou banal ler a isso. Se o tema central aqui é cliché, vamos nos valer de mais. Digamos que dessa vez eu entendi melhor.

Foi a primeira vez que li sobre a perda de alguém depois de ter passado pela experiência de perder alguém. E perder alguém não é colorido como as páginas da revista, apenas é triste. É triste saber que se está sozinho, é triste saber que existem muitas coisas que poderiam ser feitas, ditas, entendidas e que não serão mais. É triste saber que uma série de coisas, sentimentos, procedimentos com os quais você nunca sequer pensou que teria, sentiria ou lidaria não podem ser evitados. É triste uma infinidade de coisas, mas podemos apenas resumir: é triste.

E para lidar você tem duas opções ou você foge - tal qual Kitty Pride - ou você se põe a cuidar de todas as coisas que são necessárias, buscando esquecer e colocar outras coisas no lugar - tal qual Jean Grey. Perdi meu pai recentemente e tenho plena consciência que escolhi agir como na segunda forma. O problema é que nada pode ser colocado no lugar. E não falo de substituir por coisas que te alegram, dão prazer ou carinho. Falo de substituir com trabalho, estudo, resolver coisas burocráticas e toda uma série de entorpecentes para adormecer o espírito. Mas o sentimento sempre volta e, como num término de relacionamento, afinal o é, sempre volta quando você menos espera.

Foi o que aconteceu lendo a morte do Professor X.

Meu único consolo é que meu único superpoder é poder confortar quem fica.

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The Optimistic - 09:43:00 0 comments


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quarta-feira, 7 de julho de 2010

Divulgado o IDEB das Escolas do Rio de Janeiro

Interessantíssima a lista divulgada pelo jornal O Dia no dia de ontem. Vejam. Ainda que toda forma de rankeamento seja parcial e sofra de deficiências em termos analíticos, acho os resultados bastante indicativos do que acontece na educação do Estado do Rio de Janeiro. Mais interessante ainda é o que acontece em Campos.

Na lista das melhores escolas do 1 ao 5 ano, simplesmente não há NENHUMA escola de um dos municípios mais ricos (talvez o mais rico) do Estado: Campos. Lembremo-nos de que a educação de 1-5 ano é função municipal e, em Campos, pouquíssimas são as escolas estaduais que oferecem essa modalidade. Por outro lado, na lista das 100 piores escolas, nada mais, nada menos do que 26 escolas são de Campos. Ou seja, mais de 25% dos piores resultados do IDEB são de Campos!!!

Detalhe: a escola que figura em primeiro lugar nessa lista das piores, foi meu local de trabalho de março a maio desse ano. Eu trabalhava com o 2 segmento (6 ao 9 ano). Mas eu via o que acontecia lá: não havia papel para as professoras trabalharem com os alunos; era necessário quotizar papel e pagar do próprio bolso. Fora as goteiras, ausência de brinquedos e materiais auxiliares, início do ano letivo com mais de 6 (sim, SEIS) turmas sem professores, portas com cabeças de prego expostas e por aí vai. Tudo isso com uma clientela extremamente pobre e dependente não apenas de benefícios sociais, mas também de instituições.

Eu ficava sempre com um pouco de pena e sensação de impotência frente a situação das crianças. Apesar de a escola, felizmente, possuir um grupo de professores e direção altamente empenhados e comprometidos, a estrutura restringia em muito qualquer tipo de ação. Mesmo no segundo segmento os problemas eram graves. Havia duas turmas de 5 série com cerca de 38 alunos cada. Quando nós, professores do 2 segmento, questionamos à supervisão se poderiamos dividir em três turmas, recebemos a resposta de que o que determina a quantidade de alunos em turma é o TAMANHO DA SALA DE AULA. Questiono: que tipo de educação pode vir nessas condições?

Para finalizar, confrontrando a lista com os discursos propagados, repito: só conhece o estado da educação do Rio de Janeiro quem nela trabalha.

The Optimistic - 14:31:00 0 comments


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sábado, 3 de julho de 2010

Pequenos feitos incríveis sem testemunha.

Eu sempre soube pronunciar o nome do vulcão Eyjafjallajökull, ok. Anos de Sigur Rós fazem isso com a gente. By the way, repitam comigo: "ei-iafidliaiokudli"

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The Optimistic - 09:12:00 0 comments


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Sobre mulheres e meias-calça.

Decidiram que o último berro em termos de moda feminina são as meias-calça. Lindo. De coração, acho muito bonito. Quanto mais grossas melhor. Volta e meia topo por aí com algumas mulheres elegantíssimas em suas meias negras e espessas. O tom fica mais sóbrio, a elegância sobe a níveis estratosféricos (sendo estratosfera, em termos de inverno, the operative word), mas não consigo deixar de pensar no efeito alienígena.

Explicando...

Mesmo que em dias cinzas e chuvosos, mesmo em áreas mas "metropolitanas" como o Centro do Rio, ainda assim, acho meio estranho essas meias tão Hemisfério Norte por aqui. Parece algo muito fora da realidade brasileira. Mais ou menos como usar sobretudos no inverno (?) do Rio de Janeiro. (Adriana que me perdoe, mas glacial ou não, o inverno ainda é no Leblon e não em Milão). Ou, pior ainda, daqui de Campos. Até fica bonitinho, mas alguma coisa não combina. Outro dia, vi a foto de um amigo meu no meio da arquitetura arrojada de Chicago. Usando havaianas. Sim, havaianas. Por mais que ele seja brasileiro, que as sandálias sejam "very trendy" lá por fora hoje em dia, ainda assim era muito alienígena para meus pobres olhos.

Acho que não funciona mesmo. Certas coisas, para mim, tem tempo e, principalmente, espaço para acontecerem, para serem. E esse espaço tropical (mesmo no inverno) não combina com as meias grandes.

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The Optimistic - 08:56:00 0 comments


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O perigoso português.

Há algumas experiências que somente passando por elas dá para entender o desespero de quem sofre.

Comprei o ingresso para assistir "Príncipe da Pérsia". Meia entrada, nada de pipocas (tira a atenção), expectativas pelos efeitos especiais, Jake Gyllenhaal (sem comentários, please) e por aí vai. Mas, quando sentei na cadeira, algo estranho aconteceu. Primeiro as legendas iniciais estavam em português. Não as legendas de fala ou narração, mas aquelas que contam a historinha prévia ao filme. Pensei: "não, não ta acontecendo isso". Dez segundos depois o famigerado "Há muito tempo atrás..." narrado em bom, alto português e, claro, voz de Sessão da Tarde. Claro que a vontade era levantar, sair correndo e pedir o dinheiro de volta. Já era tarde...

Nem nos meus sonhos mais orientais passou-me pela cabeça que o filme possivelmente seria dublado. Nem mesmo conferi isso na hora de comprar o ingresso. Todavia, está aí uma coisa que venho percebendo há tempos: a proliferação dos dublados. Na época de Alice a maior parte dos cinemas (que a mim estavam próximos) passavam o filme em versão dublada. (Tanto que na falta de tempo de me deslocar mais para longe e assistir em 3D, optei por baixar o filme e ele ainda me espera no HD. Pelo menos está legendado). Esses filmes mais estúpidos (tipo Esquadrão Classe A) já passam com o trailer dublado e, agora, "Príncipe da Pérsia" foi pelo mesmo caminho. O meu medo? Que daqui a alguns tempos viveremos uma realidade que já é comum em alguns países nos quais as raridades são os filmes legendados. Lembro de um amigo que, morando na Espanha, penou para encontrar um cinema que exibisse legendas. Detalhe: estava em Madrid e não em um pueblo no fim da Península Ibérica. Será o futuro do Brasil? Ou apenas o velho e conhecido efeito estupidificante Disney? Tenho medo da resposta.

Quanto ao filme? Bom, era um filme vindo de um video-game. O que vcs esperavam? Mas os efeitos são bacanas. Veria o dois. Dessa vez com olhos bem atentos ao ingresso.

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The Optimistic - 08:44:00 0 comments


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the return (?).

Nesses tempos de 140 caracteres, volta e meia sinto falta de um espaço maior e mais palavras. Então, vamos tentar dinamizar esse espaço. Mais uma vez. Até pensei em criar outro blog, mas minha fidelidade ao Optmistic vai longe. Vamos honrá-lo.

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The Optimistic - 08:42:00 0 comments


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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Um floco de neve bonito e exclusivo.


Uma das piores frases que alguém pode dizer para mim, em qualquer situação, é: "não é só com você, sou assim com todo o mundo". Sempre, como complemento, ainda tenho de aguentar a expressão de dever cumprido, circunstâncias atenuadas no rosto do interlocutor. Sinceramente, preferia ouvir "o problema é em relação a você". Seria mais digno. Como alguém pode achar que generalizar e me incluir na multidão de anônimos coberta pelo "todo o mundo" me deixa "menos triste"? Acho no mínimo uma falta de senso! Não faço nenhum libelo ao desvio ou a idiossincrasia; apenas que estar no impessoal "todo o mundo" é doloroso. Muito mesmo.

Essa é uma daquelas expressões repetidas a esmo de maneira impensada e inconsequente. Não digo que jamais disse/jamais direi, mas mesmo inconscientemente isso não sai da minha boca. Primeiro lugar, por que ñao consigo pensar em absolutamente nada ou nenhuma situação em que diria isso; mesmo sendo fiel discípulo de Chuck Palahniuk e acreditando firmemente que ninguém é único e individual "um floco de neve bonito e exclusivo", a minha soma com cada pessoa resulta em um produto diferente. Isso sim é único e individual e minhas ações/relações/sentimentos dificilmente serão os mesmos. Depois, que, para mim, isso beira a uma certa crueldade... Se a situação é a mesma para todo o mundo, cadê o caráter especial do contato com o sujeito? Não há. Afinal, ele não apresenta relevo algum a ponto de receber considerações, pesos e medidas diferentes.

Vamos e venhamos, lá no fundo, quero ser o floco de neve bonito e exclusivo. Ou, pelo menos, acalentar essa esperança sem que ela seja arranhada.

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The Optimistic - 10:49:00 1 comments


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domingo, 13 de setembro de 2009

Sobre se sentir meio arroz-com-feijão. (Ou meio pequenino).

Não é a primeira vez que escrevo sobre isso. Creio que da outra vez até utilizei esse mesmo título. Ocorre que essas sábias palavras de Fernanda Takai e sua trupe são muito adequadas pra verbalizar um sentimento tão recorrente em mim: me sentir meio arroz com feijão.

Certa vez, conversando com um amigo, disse-me ele que talvez seja isso do que a vida adulta se trata: aceitar e viver meio arroz-com-feijão. Verdade que até aceito isso. Entretanto, há momentos em que a certeza se faz mais forte; um momento meio Macabéa, jogada ao lado do meio-fio, um fino fio de sangue escorrendo testa abaixo, toda a estupidez da própria existência se revelando brutal, sem bombons doces, sem filtros cor-de-rosa. Um grande e acachapante "você é muito pouco". Bate meio que uma tristeza nessas horas. A gente gosta de ter as coisas em alta conta, que dirá, então, de termos nós mesmos em alta conta? Acho meio ridículo quem se acha muita coisa, mas acho um pouco triste quem não se acha nada. A velha máxima desgastada do meio termo? Sabe que não sei?

De outra vez, conversando com outro amigo, conversavamos sobre um determinado livro. Reclamava ele do rótulo dado pela crítica, "um livro menor na obra do autor". Dizia ele que, talvez, todo seu carinho pelo livro viesse justamente dessa denominação. Considerava a si próprio pouca coisa, algo menor frente o mundo. Achei meio triste a observação. Não é o caso de se considerar menor. Elimina-se o adjetivo comparativo de inferioridade e utiliza-se simplesmente "pequeno". Me sinto pequeno o tempo todo. Não que isso seja demérito. O mundo é grande demais e encarar certas coisas e se sentir pequeno, considero normal. Somos todos pequenos. E, felizmente, igualmente pequenos.

Lembro de "2001" na cena em que o computador é desligado e o astronauta se vê sozinho. Tão sozinho como nenhum homem jamais esteve. E, contemplando o universo, pequeno. Tão pequeno como jamais qualquer ser humano já se sentiu. Talvez, seja isso. Hoje é um daqueles dias em que me sinto pequeno.

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The Optimistic - 01:16:00 0 comments


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Eu.

Philipe

Campos - RJ

Ficção e não-ficção.


Leio:

Green Plastic
Omelete.
Cronicalidades.
Martini Seco.
Hel Looks.
Cafeína.
Cotidianidades.
Perto do Coração Selvagem.
Vida na Islândia.
Amor e Hemáceas.
Actions e Comics.

Recentemente:
|Algumas notas sobre música.|
|Go, Spidey!|
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|Tempo.|
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|O Diário do Clima.|
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|Before Midnight (2013).|
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